Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 08/12/2020

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário do Novembro Azul e seus desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina: uma inércia que perdura em detrimento da escassa divulgação do impasse, além do preconceito para com o exame. Dessa forma, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas a dificuldade de instruir os indivíduos não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, o escritor austríaco Stefan Zweig afirmou em sua obra literária, do século XXI, que o Brasil era um país do futuro e grandes inovações tecnológicas e sociais iriam ser efetivadas. Entretanto, tais mudanças são pouco palpáveis ​​em relação ao espargimento informacional do câncer de próstata, devido ao limitado engajamento sobre sua difusão - como tratamentos e quando contatar um profissional -, o que diverge com as campanhas de conscientização voltadas ao público feminino (Outubro Rosa), que divulgou sagazmente informações sobre o câncer de mama. Por conseguinte, tal medida favorece na formação de uma problemática social com dimensões cada vez maiores.

Faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: a atual conjuntura do preconceito com o exame de próstata é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Dessarte, prenoções enraizadas na sociedade, assim como tabus e mitos a respeito do procedimento, promove pessoas desinformadas e propensas a propagar inverdades e acentuar, cada vez mais, o receio e o prejulgamento esdrúxulo diante ao exame, o que corrobora no aumento de casos não tratados e, consequentemente, ao óbito precoce de grande parcela do público masculino, favorecendo na acentuação do estorvo.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve esclarecer e informar a população sobre a enfermidade, por meio de campanhas e debates televisivos que discorram sobre definições e tratamentos, para que haja um comprometimento com o impasse, a fim de conscientizar a nação. É preciso, também, que médicos e enfermeiros desmitifiquem tabus presentes na sociedade, com o intuito de romper tais preconceitos. Somente assim, construir-se-á uma nação mais saudável e informada, pois como alegou Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.