Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 19/11/2020

Segundo o filósofo Henrique de Lima, a sociedade se assenta no enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. À luz disso, observa-se o comportamento social em relação à prevenção do câncer de próstata, haja vista que apesar dos avanços do conhecimento, mediante,  por exemplo, a campanha Novembro Azul,  sobre os meios de como preveni-lo, percebe-se uma sociedade que ignora tais ações. Em vista disso, ao expor os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina, verifica-se uma cultura machista, mas também,  um ensino tecnicista como os empecilhos para a adoção dessa prática.

A princípio, de acordo com o filósofo John Locke, o ser humano é uma “tabula rasa” em que o meio externo dita a construção da sua personalidade. Sob esse prisma, ao notar que são os estímulos oriundos do cenário social que o indivíduo está inserido responsáveis pela formação da sua identidade, observa-se que a falta de conscientização da adoção de hábitos relacionados à prevenção do câncer de próstata é reflexo de uma estrutura social, a qual impõe tal comportamento. Prova disso é que a manutenção de uma cultura machista, a qual ao definir os papeis de cada gênero, permitiu que cuidado à saúde não seja visto como uma prática masculina. Desse modo, verifica-se que essa mentalidade permite que tais cânceres cresçam na sociedade.

Ademais, conforme o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, constata-se que o ensino é o fundamento, o qual norteia a conduta do indivíduo no tecido social. Consoante a isso, ao analisar a dificuldade de implantar hábitos que reverberam a preocupação do sexo  masculino com a sua saúde, identifica-se um ensino omisso que não estimula esses comportamentos. Isso se deve pela a prevalência da educação tecnicista no ambiente escolar, dado que essa não se ampara na realidade que o indivíduo está inserido e nas problemáticas que o cerca, mas sim, na formação de estudantes aptos para o mercado de trabalho. Assim, uma didática pedagógica que não incentiva o olhar crítico faz com que atitudes irresponsáveis sejam mantidas.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante repasse de verbas públicas, traçar política que impulsione a conscientização social quanto a saúde masculina. Nesse viés, o Governo criará palestras nas escolas, direcionadas à comunidade local, as quais debaterão sobre a falácia do machismo e os prejuízos da sua manutenção na população, por meio de sociólogos e de historiadores que utilizarão dados científicos e conhecimentos da historiografia humana, a fim de demonstrar que o cuidado à saúde deve ser uma prática masculina. Diante disso, não só escola realizará  o seu papel social, como também conseguirá vencer o enigma de H. Lima.