Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 18/11/2020
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de mil homens, no Brasil, todos os anos, têm o pênis amputado por falta de higiene e acompanhamento médico regular. Essa caótica realidade e outras diversas enfermidades que podem afetar a saúde e o bem-estar masculino, estão diretamente ligadas ao “imaginário de ser homem” e às questões relacionadas ao trabalho.
Antes de tudo, é necessário constatar que, segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a sociedade incorpora, neutraliza e reproduz, ao longo do tempo, estruturas sociais que são impostas a sua realidade. Desde a Antiguidade, os homens são vistos como detentores de força, o que acaba contribuindo para a negligência por parte dos mesmos no que diz respeito à sua saúde.
Em segundo plano, enfrentar filas em instituições de saúde pública pode levá-los a “perder” o dia de trabalho por, geralmente, funcionarem apenas em dias úteis. Enquanto nos finais de semana, há apenas médicos particulares, o que não cabe no orçamento da maioria dos trabalhadores brasileiros. Ademais, as poucas horas de descanso também impedem os homens de praticarem atividades físicas regularmente, o que pode contribuir para o surgimento de doenças como o diabetes e o colesterol.
Portanto, tendo em vista esses entraves, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Saúde realize mutirões de consultas (não só no Novembro Azul), nos principais pontos das cidades brasileiras, por meio do apoio de médicos que estão em fase de profissionalização, a fim de realizar exames rotineiros que, eventualmente, podem diagnosticar doenças precocemente, assim, garantindo a possibilidade da realização de um tratamento adequado. É imperativo, também, que a mídia divulgue a importância dos cuidados com a saúde independentemente do sexo, com vistas a mudar o comportamento da sociedade diante de culturas anacrônicas.