Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 18/11/2020
“Homem que é homem não chora, não pode ter sentimentos e deve ser duro na queda’’. Esse é um dos muitos ditados que permeiam a sociedade brasileira contemporânea e perpetuam a mentalidade machista entre os indivíduos. Para além, tal posicionamento reflete no comportamento quanto aos cuidados da saúde homem, pois esse deveria mostrar virilidade e manter-se como um ‘‘macho alfa’’. Com isso, é importante salientar que o preconceito social e os baixos investimentos governamentais voltados à higidez do homem são desafios a conscientização da saúde masculina.
É imperioso salientar, primeiramente, que o preconceito social cobra virilidade do homem na sociedade brasileira. Ademais, como orientado pelo filósofo Immanuel Kant que ‘‘o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele’’, isso revela a importância de se construir uma educação voltada à posicionamentos saudáveis à própria sociedade. Dessa forma, os indivíduos que absorvem uma educação pautada na masculinidade tóxica perpetuam as raízes de que ‘‘homem tem que ser machão’’ e ‘‘cuidar da saúde é coisa mulherzinha’’. Logo, isso causa inúmeras barreiras ao diagnóstico precoce de doenças em homens e nos tratamentos por, muitas vezes, receio de ter sua masculinidade abalada.
Concomitantemente, os baixos investimentos estatais voltados aos programas de saúde do homem agravam esse cenário. Outrossim, o próprio sistema de saúde e a falta de infraestrutura são mecanismos que dificultam a conscientização social quanto a saúde do homem. Com isso, a quantidade de hospitais, clínicas e postos de saúde, em território nacional, são insuficientes para atender a demanda, além de existir pouquíssima publicidade quanto a importância da saúde masculina, muitas vezes, restrita a campanha do ‘‘Novembro Azul”. Ora, as consequências disso são muito evidentes, como a demora no atendimento clínico, filas cirúrgicas colossais ou, quando há tratamento particular, exames, consultas, remédios e tratamentos caríssimos, como abordado nos jornais e TV.
Portanto, é necessário superar os desafios à conscientização social sobre a saúde masculina e cabe ao Ministério da Saúde, órgão de alcance nacional, investir incisivamente em infraestrutura e programas voltados à saúde do homem. A longo prazo, isso pode ser realizado com o aumento do número de hospitais e clínicas, com referência na saúde do homem, e postos de saúde para atender a demanda nacional. Isso visa zerar a fila por atendimento clínico e cirúrgico e minimizar os danos causados pelo não diagnóstico precoce de doenças nos homens. A curto prazo, o governo deve realizar parcerias com institutos de saúde privados para desonerar os custos com consultas, exames e tratamentos de indivíduos que buscam a rede particular para, assim, tornar acessível os valores para muitas pessoas e, dessa forma, diminuir a espera por diagnóstico e desafogar o sistema público de saúde.