Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 18/11/2020
A corrente filosófica utilitarista, criada no século XIX, definia que uma boa ação é aquela que proporciona o prazer e felicidade aos indivíduos ao redor. Em contrapartida, a saúde masculina, apesar de ser um tópico em pauta no Brasil, se vê obstada pelos estigmas históricos enraizados socialmente, os quais definem que o homem não deve se cuidar e , portanto, estes não se configuram como uma boa ação perante ao utilitarismo. Ademais, o Estado, responsável por garantir os direitos da população, não cumpre com esse papel de maneira eficaz, haja vista que o câncer de próstata é realidade de muitos homens no Brasil e, assim, mudanças são exigidas.
Em primeiro plano, é fundamental destacar o papel dos estigmas sociais no processo de precarização da saúde masculina. De acordo com o sociólogo Max Weber, ‘‘as crenças adquirem um papel catalisador nas mudanças conjunturais da sociedade’’ e, por conseguinte, o tabu criado acerca do cuidado masculino é um dos principais responsáveis pelo alto número de homens com cânceres. Sob essa ótica, o exame do câncer de próstata, realizado por toque retal, se configura como um medo aparente a muitos homens, uma vez que foi criado o mito de que o homem deixa de ser do sexo masculino apenas por se prevenir, quando na realidade, segundo dados da Agência Nacional de Saúde, o exame por toque retal é capaz de diagnosticar 20% dos pacientes com a enfermidade.
Outrossim, é fulcral pontuar como o Estado é fundamental nesse âmbito. Conforme o filósofo John Locke, o Estado é responsável por garantir os direitos inalienáveis ao homem, tais como a vida e, consequentemente, as ações e campanhas governamentais se colocam como primordiais na prevenção do câncer de próstata e outras enfermidades que atingem o sexo masculino. Entretanto, apesar da campanha Novembro Azul, que busca conscientizar os homens acerca de suas enfermidades, segundo o Instituto Nacional de Câncer, no ano de 2018, 15 mil homens morreram em decorrência do tumor na próstata, o que reflete a importância da elaboração de medidas mais eficazes por parte governamental.
Destarte, é mister que o Estado tome providências em relação à problemática apresentada. Para tal, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, um projeto de ampliação ao cuidado e tratamento masculino nos hospitais públicos, principalmente no que tange à valorização da importância dos exames preventivos. Tal projeto deve conter proposta encaminhada para a totalidade dos municípios e, assim, as Secretarias de Saúde das cidades poderão atender a demanda hospitalar e trabalhar para mitigar os casos dessas enfermidades, tais como o câncer de próstata. Só assim, ter-se-á uma aproximação ao ideal utilitarista.