Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 24/11/2020
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a globalização trouxe uma era de instabilidade nas relações sociais, embora tenha facilitado o acesso à informação. Dessa forma, tem-se uma incongruência em relação à saúde masculina, pois mesmo havendo campanhas de incentivo ao cuidado do homem, ainda há um tabu quanto a esse comportamento, visto que se criou um culto à masculinidade, e a falta de diálogo desde a adolescência contribuiu para a manutenção desse estigma.
Primeiramente, desde a Grécia Antiga, a cultura do corpo perfeito e da virilidade do homem permanecem na sociedade e contribuem com a criação de uma tradição que diferencia o homem (força e brutalidade) da mulher ( fragilidade e delicadeza). Com isso, os reflexos do maior cuidado feminino com a saúde aparecem na maior longevidade das mulheres, em decorrência de acompanhamento médico periódico. Sendo assim, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018, a expectativa de vida das brasileiras chega a quase 80 anos, e a dos brasileiros fica abaixo dos 73 anos, resultados que demonstram que o comportamento masculino em relação ao cuidado com a saúde os tira um significativo período de vida.
Paralelamente a isso, apesar do esforço governamental de tentar mobilizar os homens a cuidarem da saúde, os casos de câncer de próstata abreviam a vida de muitos cidadãos. Nessa perspectiva, pelos números divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), aproximadamente 15 mil brasileiros morrem por ano em decorrência da enfermidade prostática. Logo, esse dado evidencia a necessidade de combater o pensamento de que o “exame de toque”, eficiente na detecção precoce de neoplasias, interfere na masculinidade do homem, pois isso não acontece de fato e apenas contribuiu para o aumento dos óbitos em virtude de tumores.
Em síntese, os desafios para conscientizar a sociedade quanto à saúde masculina são significativos e estruturais, como o culto à masculinidade tradicional e a falta de conversa desde a idade tenra, e precisam ser combatidos. Portanto, cabe à escola oferecer aos estudantes palestras sobre o cuidado com a saúde, ministradas por médicos, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos, por meio de seminários mensais realizados nas instituições, com apoio do município, para que os alunos tenham o contato com esses profissionais com maior frequência, a fim de estimular o hábito da consulta periódica e o acesso à informação de qualidade. A família deve dialogar desde a adolescência sobre a necessidade do cuidado masculino, assim como é feito com as meninas, descontruindo o tabu da ameaça à masculinidade. Com essas ações, espera-se que o cuidado com a saúde masculina torne-se comum e milhares de brasileiros possam viver mais, aliando informação e prática.