Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 20/11/2020

Em 1980 o vírus do HIV atingiu grande parte da população masculina devido aos descuidos nas relações sexuais, com isso muitos indivíduos tiveram diagnósticos tardios e morreram em estágios avançados da enfermidade. Na atualidade, a saúde masculina  ainda é alvo de diversas discussões devido o distanciamento do homem e sua saúde física e mental. Nesse contexto, dois pontos são determinantes para se compreender o cerne desse problema: a construção da masculinidade ao longo da história e as consequências descaso do homem para com sua própria saúde.

A masculinidade, assim como outras atribuições do homem, foi algo construído ao longo da humanidade e com isso vários traços da personalidade do gênero masculino reverbera nos dias atuais. Nesse sentido, o feminismo foi fundamental para se compreender a toxicidade da masculinidade para a humanidade, tal qual o pensamento da filósofa e feminista Simone de Beauvoir que expõe as relações de força e invulnerabilidade ao homem e fraqueza à mulher. Dessa forma, o homem possui uma resistência de se sentir vulnerável e enfermo, uma vez que esses traços indicam fraqueza ou perda da masculinidade.

Ademais, a falta da figura masculina em muitas famílias é a consequência direta da falta de cuidado do homem com sua própria saúde. Nessa perspectiva, o homem encara a saúde como um tabu, e seu papel como provedor é visto como prioridade em detrimento de outros papéis , porém, é de interesse de todo o núcleo familiar o cuidado da saúde da figura paterna. Dessa forma, dados do  Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo revela que 70% dos homens que procuram o auxílio médico é por influência dos filhos ou do parceiro ou parceira, ou seja, a família é fundamental para o combate das enfermidades masculinas

Dado o exposto, é necessária uma atuação do Ministério da Saúde, com o auxílio dos médicos da saúde da família e comunidade, na promoção de visitas em todas as localidades a fim de educar todos os familiares sobre cuidados básicos com a saúde e incentivar o zelo mútuo entre eles. Com isso, os médicos com essa especialidade poderiam se voluntaria para fazer atendimentos nos domicílios, dividindo entre eles os bairros e atingindo desde a parcela mais marginalizada da sociedade aos mais abastados. Sendo assim, o contato direto dos homens da família com esses profissionais permitirá um maior combate da masculinidade tóxica e suas influências na saúde física e mental do indivíduo. Só assim, não irá se perder mais homens, tal como na década de 80, por enfermidades facilmente tratáveis e controláveis e a masculinidade irá ser vista com outras atribuições.