Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 23/11/2020

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, a expectativa de vida foi de, aproximadamente, 72 anos para os homens e 79 anos para as mulheres. Esses resultados estão  intimamente ligados com o cuidado que cada gênero tem com a sua saúde, e eles demonstram que o gênero feminino tem a tendência de uma maior autopreservação. Por conta disso, criou-se o Novembro Azul, que é um mês dedicado à conscientização social em relação à saúde dos homens. Entretanto, tal ação encontra inúmeras dificuldades, entre elas a comum masculinidade frágil e, por consequência, a falta de diagnósticos precocemente da doença.

Em primeira análise, cabe analisar a relação do ambiente patriarcal contemporâneo com o comportamento dessa parcela da população em sociedade. Por exemplo, desde as famílias reais dos Estados-nação no século XVI, apenas os filhos têm direito ao trono, pois atribuía-se à estes características fortes, viris, enquanto que para as filhas, os adjetivos eram sempre do tipo cuidadosas, cautelosas. Hodiernamente, apesar de algumas mudanças sociais, esse pensamento machista ainda não se extinguiu totalmente, pois a masculinidade frágil fica explícita na constante preocupação que se tem em associar a sua imagem à força e resistência, condenando qualquer ideia de vulnerabilidade, mesmo que inata ao ser humano.

Partindo dessa ambientação, é possível entender o porquê da dificuldade em diagnosticar precocemente problemas relacionados à saúde masculina, principalmente o câncer de próstata, o segundo tipo mais comum dessa doença, segundo o jornal Correio Brasiliense. O problema não reside na falta de exames claros, visto que desde a descoberta do Raio-X, pelo físico alemão Wilhelm Röentgen, a identificação desse tipo de doença foi muito facilitada, mas sim, pode-se ressaltar a abundância de propagandas contra o câncer de mama durante o ano todo e a escassez para o de próstata, exceto no Novembro Azul, o que dificulta ainda mais o tratamento desse tipo de condição, pois a enfermidade não é descoberta no início.

Em suma, apesar dos avanços que já foram feitos para conscientizar a sociedade sobre a saúde masculina, ainda há muito para se fazer. Para melhorar a qualidade de vida desse grupo populacional, é necessário que os governos estaduais e federal invista ainda mais em exames preventivos, principalmente os relacionados às genitálias dos homens, pois é o local em que há mais tabu em ser discutido. Esse projeto acontecerá por meio de campanhas realizadas mensalmente em todo estado, com o objetivo de abranger um numero máximo de pessoas examinados. Apenas assim, esse grupo de indivíduos terá mais saúde e longevidade.