Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

O Novembro Azul,criado em 2008 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida,é uma campanha de conscientização de doenças masculinas,sobretudo o câncer de próstata.Tal atividade têm o intuito de cessar o preconceito do homem de ir ao médico e estimular um cuidado maior com a saúde.Entretanto,é notório que a grande maioria dos homens brasileiros não se atentaram para a importância de consultas preventivas com profissionais de saúde,contribuindo para altas taxas de mortalidade por condições que poderiam ser tratadas.Diante de tal perspectiva,é oportuno compreender os fatores sociais e econômicos responsáveis por esta situação a fim de que seja afastada do cenário nacional.

Convém destacar,de início,como o machismo estrutural,fruto de uma sociedade patriarcal,atua de forma determinante para o descaso em relação à saúde masculina.Nesse sentido,a filósofa estadunidense Judith Butler,promove a análise de que a figura do homem é vista como imbatível,sendo uma pessoa bruta, forte e que não demonstra seus sentimentos.Desse modo,em razão dessa condição de “masculinidade frágil” e para provar para a sociedade que ele é verdadeiramente um homem potente,atitudes como não recorrer à medicina e negar ir em consultas com um  urologista são permanentes.

Vale ressaltar,ainda,como o desprezo em relação à saúde pública contribui para o recrudescimento da problemática em questão.Seguindo tal lógica,a série “Grey´s Anatomy” mostra a realidade de um hospital com atendimento de qualidade,além de contar com os equipamentos necessários para a realização de exames e cirurgias,situação que não condiz com a realidade brasileira.Desta forma,o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda afirma que os bens públicos são regidos pelo “patrimonialismo”,ou seja,comandados conforme interesses particulares.Como consequência preocupante dessa situação,notícias falando de pacientes que morreram na fila do hospital são constantes,visto que o sistema de saúde se encontra falho,marcado pela superlotação e deficiência no atendimento.

Portanto,para resolver tal problemática,cabe às Secretárias Municipais e Estaduais de Saúde promover mais campanhas informativas e preventivas para a saúde masculina,com o intuito de mudar  a realidade em questão e que as altas taxas de mortalidade sejam reduzidas.Ademais,é papel da esfera familiar educar seus filhos,desde pequenos, a desmistificar os papéis de gênero.Atitudes como ensinar o filho a demonstrar seus sentimentos e não distinguir brincadeiras de menino e menina são válidas.