Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

A gravidade da falta de conscientização quanto à saúde masculina tem despertado a atenção da sociedade brasileira e do poder público para a notoriedade da questão no país. Porém, ainda que reconhecida a importância de superar esse impasse a fim de que o Brasil avance, essa problemática persiste em decorrência, sobretudo, de fatores culturais e sociais, o que demanda solução urgente.

Convém destacar, a princípio, como o machismo é um fator determinante para a falta de conscientização quanto à saúde masculina. Com efeito, isso pode ser observado na teoria de “papéis de gênero” da filósofa Judith Butler, na qual o homem tem um papel, diante da sociedade, de forte e viril. À luz do exemplo abordado, fica evidente que os homens, portanto, por se sentirem machões e héteros não iriam gostar da ideia de outra pessoa tocando uma parte em seu corpo que está relacionada com o prazer homossexual, a região anal, ao fazer o exame de próstata, então se sentem desconfortáveis em cuidar de sua saúde. Como consequência alarmante desse cenário, tornam-se frequentes o aumento de casos de mortes com câncer de próstata, já que têm vergonha de se cuidar e de serem examinados.

Vale ressaltar, também, o papel da falta de tempo no agravamento da problemática em questão. Nesse sentido, esse quadro pode ser exemplificado pela teoria do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, descrita em seu livro “A sociedade do cansaço”, a qual diz que vivemos em um mundo capitalista em que as pessoas vivem em prol do lucro, ou seja, estão sempre trabalhando e nunca têm tempo pra nada. Assim, torna-se evidente como, por motivo dessa lógica capitalista de trabalho, muitos homens acabam ficando sem tempo para se cuidar, e muitas vezes por causa dessa ocupação não obtém informações sobre os exames necessários a se fazer. Em virtude dessa realidade preocupante, muitos homens têm diversos problemas de saúdes desencadeados pelo câncer de próstata, problemas os quais que podem até levar a morte.

Fica evidente, pois, a urgência em coibir essa preocupante realidade. Para isso, é imperiosa a ação da mídia, por seu papel na formação da opinião pública. A ela compete realizar debates por meio de páginas como “Quebrando o tabu” no Facebook. Essa medida deve contar com a participação de um público masculino, desenvolvendo ideias e motivos para não se sentirem confortáveis realizando esses exames com a finalidade de que cheguem a conclusão que não tem porque se envergonhar por isso. Aliado a isso, cabe a empresas privadas, onde seus funcionários passam muito tempo trabalhando promover cartilhas, informando sobre a necessidade de se cuidarem a fim de que os empregados sejam informados sobre isso e foquem uma parte do seu tempo para realizarem exames necessários.