Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

A gravidade da falta de conscientização social acerca da saúde masculina tem despertado a atenção da sociedade brasileira e do poder público para a notoriedade da questão no Brasil. Porém, ainda que reconhecida a importância de superar a baixa adesão aos cuidados médicos por parte dos homens a fim de que o país avance, esse problema ainda persiste em decorrência, sobretudo, de fatores sociais, os quais demandam solução urgente.

Convém destacar, de início, como o machismo atua de forma determinante para que haja uma baixa conscientização masculina sobre o autocuidado . Nesse sentido,  é pertinente aludir às discussões da filósofa norte americana Judith Butler sobre papéis de gênero. Segundo ela, o patriarcado estipulou funções predeterminadas ao sexo feminino e ao masculino, de forma a privilegiar o último em detrimento do primeiro, entre elas ressalta a necessidade dos homens se imporem como superiores e, para isso, estarem sempre fortes e viris. Dessa forma, muitos deles, imersos nesse cenário em que não se pode demonstrar fragilidade, ficam oprimidos e com vergonha de realizarem exames de rotina. Assim, ao não buscarem ajuda profissional, inúmeros destes indivíduos colocam sua saúde em risco e perpetuação tal conjuntura misógina.

Vale ressaltar, ademais, o papel da falta de educação sexual no recrudescimento da problemática em questão. Nesse contexto, é oportuno analisar os impactos da sociedade conservadora brasileira, uma vez que, por ter sido construída sob preceitos religiosos, foi responsável por tornar o sexo um tabu, condenando a conscientização sexual nas escolas. Desse modo, inúmeros garotos, desamparados e sem informações acerca do assunto, não conseguem identificar caso apresentem anormalidades em suas genitálias. Esse quadro torna-se preocupante, pois são frequentes, em vários homens, a ocorrência de inúmeras doenças que poderiam ser evitadas.

Portanto, são necessárias medidas capazes de afastar essa realidade do âmbito nacional. Para tanto, compete às escolas, por seu papel formador, garantir educação sexual ao alunato, por meio da implementação de aulas práticas e lúdicas, ministradas por pedagogos e sexólogos, que tratem sobre sexualidade e o funcionamento dos órgãos reprodutores, com o fito de dar informações aos estudantes sobre seus próprios corpos e evitar enfermidades tratáveis . Além disso, compete à mídia, por seu caráter influenciador, divulgar programas que desmistifiquem o papel másculo e insensível do sexo masculino, a fim de diminuir a masculinidade frágil, e consequentemente, a opressão que este grupo sofre. Feito isso, será possível construir um caminho de superação para esse grave entrave social .