Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

O Novembro Azul é uma campanha estratégica mundial de conscientização, efetivada no mês de novembro e executada por diversas entidades, que possui caráter de salientar a sociedade, principalmente homens, no que concerne ao câncer de próstata – doença que possui chances de cura apenas quando a detecção é precoce. No Brasil, apesar dos avanços acerca da conscientização da população, esse tipo de câncer ainda é a segunda maior causa de mortes masculinas. Tal cenário se deve à negligência estatal e ao subjetivismo do indivíduo, somado ao machismo histórico.

A princípio, é imperioso compreender a incompetência do Estado ao exercer seu papel de conscientizar a população sobre a importância dos exames periódicos no combate ao câncer de próstata. Para tanto, deve-se considerar o pensamento do sociólogo Durkheim, o qual caracteriza o homem como produto da interação e associação de valores e ideias do meio onde está inserido. Sendo assim, discursos como o do atual presidente Jair Bolsonaro, o qual afirmou que quem possui um bom preparo físico pode gastar menos com saúde - uma vez que a prática esportiva garante imunidade ao sujeito - influencia os indivíduos a desprezarem a adoção de medidas preventivas assim como o empresário João Coelho desprezou, de acordo seu depoimento para o Correio Braziliense, pois acreditou que, por praticar esportes, estava imune ao câncer.

Ademais, vale salientar como a subjetividade e a individualização do conhecimento influenciam negativamente na desconstrução do preconceito acerca do câncer de próstata. Para tanto, deve se considerar o pensamento do filósofo Lyotard, o qual se referiu à incredulidade do indivíduo como a principal característica da pós-modernidade. O sujeito pós-moderno determina como verdade apenas aquilo que acredita, o que reforça a individualização e a criação de bolhas do conhecimento. Tal fato contribui para a má capacidade buscar discernimento. Dessa maneira, o percepções machistas acerca da doença são materializadas no cotidiano atual e, como consequência - segundo pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Urologia em 2017 - 21% do público masculino acreditam que o exame de toque retal “não é coisa de homem”, uma vez que esse exame, na concepção subjetivista dessas pessoas, danifica a virilidade e a superioridade masculina.

Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de elaborar medidas para reverter o quadro atual. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a instituição midiática, ampliar as campanhas do Novembro Azul, por meio de propagandas educativas – reproduzidas durante horário nobre - que forneçam informações sobre o diagnóstico e prevenção do câncer de próstata, com o intuito de potencializar o conhecimento da população e desconstruir paradigmas sobre tal doença.