Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

O documentário “Precisamos falar com os homens?”, Produzido pela ONU mulheres, retrata o perigo da cultura machista enraizada na sociedade e como isso cria homens com diversas atitudes nocivas à saúde e à sociedade. No longa, os adultos entrevistados contam que desde criança são cobrados a “ser pegador”, resolver seus problemas na “porrada” e não demonstrar emoção, o que provoca crise de autoestima e distorção de valores éticos e morais. Assim, dada a gravidade do reflexo dos estereótipos de comportamento masculino, é necessário compreender os fatores sociais responsáveis ​​pelo problema, um fim de que seja o cenário nacional.

Convém destacar, a princípio, o machismo como fator determinante para problemática em questão. Consoante Judith Butler, filósofa norte-americana, na sociedade existem papéis de gêneros pré-selecionados, na qual o homem deve ser bruto, másculo e não demonstrar suas fraquezas. Essa situação faz com que muitos homens, influenciados pelos estereótipos, não realizem o exame de toque retal, o procedimento consiste na introdução do dedo indicador do médico no reto para detecção de anomalias nessa região. Desse modo, tal cenário de “masculinidade tóxica” torna-se preocupante, já que desmotiva muitos homens a realizarem os exames, fato que pode agravar a saúde masculina, ou que pode provocar o diagnóstico tardio do câncer de próstata.

Vale ressaltar, também, o papel da criação para o recrudescimento do machismo com a saúde masculina. Nesse sentido, fazem-se relevante como instância de Foucault, filósofo francês, ao discutir a influência dos discursos para o desenvolvimento do indivíduo. Em sua teoria, a formação ideológica é dada através de discursos articulados por sujeitos, esses se diferem pelas suas classes sociais e opiniões. Desse modo, os pais ao educarem seus filhos, por terem nascidos em uma outra geração e com posicionamento diferente, acabam criando meninos com pensamentos machistas que não são adeptos a se cuidarem. Assim, essa realidade de pai machista é grave, na medida que tem levado à intensificação do preconceito ao ser cauteloso, situação alarmante que prejudica a saúde e o bem estar dessas crianças que estão eliminadas a doenças por falta de cuidado com a saúde.

Fica evidente, pois, a urgência em coibir essa preocupante realidade. Para isso, é imperiosa a ação do Ministério da Saúde. A ele compete, portanto, fomentar políticas públicas de incentivo ao público masculino a realização de exames preventivos, por meio de propagandas públicas e promoção da campanha do “Novembro Azul”. Essa medida deve, para garantir sua efetividade, tratar dos aspectos como os benefícios dos diagnósticos precoce e os tratamentos existentes, a fim de diminuir os estereótipos masculinos para que esse grupo se cuide mais.