Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

A série espanhola “Elite”, disponível na plataforma Netflix, retrata, entre outros aspectos, a descoberta tardia do câncer de Ander, o qual, mesmo sentindo os sintomas, não buscou auxilio médico. Fora da ficção, no Brasil também há pouca conscientização social acerca do câncer, especialmente o de próstata, situação que decorre de fatores sociais, os quais demandam solução urgente.

Em primeiro lugar, vale salientar como a masculinidade tóxica contribui para que a saúde masculina não seja discutida socialmente. Nesse sentido, a filósofa norte-americana Judith Butler conceitua como “Papéis de gênero” a divisão de funções sociais por sexo feita pelo patriarcado de modo a encarregar homens de posições de virilidade e da crítica constante ao autocuidado. Sendo assim, muitos homens, domados pelo machismo, alegando não ser algo cabível à posição masculina, recusam-se a verificar a própria saúde, dificultando a conscientização de diversas enfermidades, como o câncer de próstata, situação grave na medida em que os torna mais propícios a não saberem quando buscar ajuda profissional e também favorece diversas outras crises sanitárias no Brasil.

Ademais, é importante ressaltar o papel determinante da dificuldade de identificar o câncer de próstata para o agravamento da problemática em questão. Nesse contexto, fazem-se relevantes as discussões do estudioso brasileiro Paulo Freire ao conceituar o modo de ensino do país como uma “Educação Bancária”, a qual selecionaria os conteúdos ensinados baseada utilidade deste para o Capitalismo, excluindo temas como a Educação sexual das suas grades. Deste modo, os alunos, educados de maneira bancária, não entendem a necessidade de consultar médicos de saúde íntima com regularidade e nem sabem identificar alterações perigosas em seus órgãos sexuais, como os sintomas deste tipo de câncer. Assim, este quadro se torna alarmante, já que, sem saber da necessidade de realizar o exame de próstata com frequência e nem como agir frente a alterações corporais, o número de casos por negligência aumenta, causando mais mortes por esta enfermidade.

Portanto, são necessárias ações que visem reverter este cenário. A fim de conscientizar os homens sobre a independência entre gênero e cuidados com a saúde e ensiná-los desde à infância a identificar anomalias genitais, cabe ao Ministério da Educação a criação de um projeto de lei que coloque como obrigatório nas escolas de todo o país o conteúdo de Educação Sexual, com aulas mensais e adequadas para cada faixa etária que também forneçam palestras com oncologistas e apresentem exemplos de casos reais onde a negligência de sintomas por machismo causou grandes consequências para a saúde do indivíduo. Sendo assim, será possível tornar o princípio de conscientização social do Novembro Azul uma realidade em todo o Brasil.