Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

O novembro Azul é um mês destinado a conscientização da população masculina sobre os riscos e prevenções do câncer de próstata, análogo ao outubro rosa que visa amenizar os problemas gerados pelo câncer de mama nas mulheres. Entretanto, a campanha destinada ao sexo feminino tem mais êxito, devido as dificuldades para a conscientização social quanto à saúde masculina. Essa situação é decorrente de fatores tanto culturais quanto sociais, os quais demandam soluções urgentes.

De início, é oportuno salientar como o patriarcado brasileiro agrava a problemática em questão. Nesse sentido, fazem-se relevantes as discussões da atualidade, acerca  da “masculinidade frágil”, a qual ocorre com homens heterossexuais que se esforçam a todo momento para provar à sociedade seu papel de “macho alfa”. Sob esse viés, tal ideia cultural é prejudicial a muitos homens, visto que o exame de próstata é efetuado pelo toque retal, fator determinante para muitos negarem o procedimento, pois acreditam que o tornará “menos homem”, acarretando o dado da SBGG, o qual aponta que o exame nunca foi efetuado por 49% das pessoas do sexo masculino. Assim, tal negação se tornou preocupante, visto que o câncer de próstata é que mais afeta os homens e o segundo que mais causa vítimas letais.

Ademais, vale ressaltar como os estereótipos da sociedade brasileira acentua a dificuldade para a conscientização quanto a saúde masculina. A respeito disso, é necessário considerar os estudos do filósofo Emile Durkheim, em sua teoria do “Fato Social”, os quais apontam que o indivíduo é obra do meio e de todas as influências da sociedade que está integrada, criando uma consciência coletiva e um padrão comportamental. Desse modo, muitos homens da sociedade brasileira reprimem a ideia de frequentar anualmente o urologista, o qual efetua o exame de toque retal e detecta o câncer de próstata, e disseminam a ignorância e desprezo a saúde, tornando cultura a negação do novembro azul, baseado em ideais machistas e homofóbicos. Esta situação se tornou alarmante, pois a falta de conscientização a saúde masculina acarreta sete anos a menos na expectativa de vida em relação ao sexo feminino, e torna os homens a maioria dos infectados e mortos pelo covid-19.

Portanto, medidas a fim de conscientizar os homens quanto a saúde e as prevenções do câncer de próstata devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Saúde providenciará parcerias com o Facebook, Instagram, Twitter e Youtube e aumentará o número de anúncios sobre as importâncias das medidas tomadas no Novembro azul,  ademais de inaugurar transmissões ao vivo no perfil oficial do ministério, com a presença de especialistas sobre o assunto, os quais acabarão com as dúvidas da população e irão extinguir o estereótipo homofóbico do exame. Ao seguir os passos, no futuro todos os homens farão o exame preventivo e tornarão cultura os cuidados da saúde masculina e feminina.