Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 24/11/2020
O termo “masculinidade frágil” tem sido usado com frequência na atualidade. No qual, se refere a dificuldade de quebrar os tabus corporais e emocionais do gênero masculino. Com o medo de manchar sua “imagem de homem” perante a sociedade, muitos indivíduos comprometem sua saúde mental e física. Sob essa perspectiva, ficam evidentes os inúmeros desafios para a conscientização social quanto a saúde masculina, visto que, um dos principais empecilhos é o preconceito dos homens quanto ao próprio corpo.
Desta forma, é muito comum que um sujeito seja considerado “feminilizado” por se depilar ou usar brincos, devido a associação inicial de tais aspectos físicos ao feminino. Esse fator fica evidente quando muitos homens se recusam a fazer exames de próstata, simplesmente pois é necessário que o corpo seja tocado por outro homem. Como consequência, o câncer de próstata ocupa o lugar da segunda maior causa de mortes masculinas no mundo, de acordo com a OMS. Portanto, através desse dado é possível ter a comprovação de que, o medo de ser associado a uma imagem da mulher reprime muitos de se preocuparem com a própria saúde.
Além disso, o aspecto psicológico é uma barreira igualmente difícil, visto que, desde o surgimento das primeiras sociedades, o homem construiu em volta de si uma redoma mental. Na Idade Média, homens não podiam demonstrar uma fraqueza sequer, nesse sentido, eles eram obrigados a manter sua imagem de dominante o tempo todo, especialmente na estrutura familiar. Sob essa perspectiva, tal situação ainda reflete na sociedade contemporânea, e pode ser explicitada em frases como, “homem não chora", ainda ouvidas com muita frequência. Em decorrência de tal construção social, muitos se recusam a assumir doenças, mentais ou físicas, por exemplo, pois, tem-se que isso os transformaria em homens “fracos”. Em contrapartida, sacrificar a saúde pelo status inabalado não é vantajoso, a prova disso é a expectativa de vida ser consideravelmente menor no gênero masculino.
Com base nos aspectos analisados, conclui-se que, é perceptível que a conscientização social no homem é, de fato, muito difícil, mas como forma de minimizar o preconceito diante do tratamento de doenças em indivíduos do sexo masculino, cabe Ministério da Saúde buscar meios de trazer essa reflexão as pessoas, através da divulgação de placas e panfletos em clínicas, nas ruas e principalmente nas mídias sociais, questionando os tabus em relação ao exame de próstata, por exemplo. Como efeito, espera-se que as pragmáticas da masculinidade seja questionada e que homens busquem cuidar mais de sua saúde.