Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 24/11/2020
Na série “Prison Break”, da FOX, o personagem Michael Scoffield se recusa, constantemente, a fazer um exame para detectar um possível tumor no cérebro. Ao longo da obra é mostrado o avanço da enfermidade e as repetidas tentativas dos familiares do protagonista de incentivar a busca por ajuda médica. Fora da ficção, no Brasil, existem muitos homens como Michael, que não se dispõem a prevenir e/ou a procurar um tratamento, principalmente quando se refere ao câncer de próstata. Sendo assim, muitos se tornam vítimas dessa doença, já que, de acordo com o INCA, 42 homens morrem, diariamente, devido a ela. Essa situação se deve a duas causas que devem ser combatidas.
Em primeiro lugar, o imaginário social de perda de masculinidade faz com que a maioria dos representantes do sexo masculino não se previna contra complicações na próstata. O Romantismo, corrente artística do século XVIII, introduziu na comunidade masculina um modelo de homem, o qual se traduzia na caracterização desses indivíduos como seres fortes, corajosos e provedores. Apesar de terem se passado três séculos do surgimento da corrente romântica, esse ideal ainda prevalece entre os brasileiros, o que faz com que muitos acreditem que demonstrar fraqueza e vulnerabilidade traz riscos para sua percepção como homem. Dessa forma, para exaltarem a coragem, eles procuram evitar procedimentos médicos íntimos e tratamentos que explicitem suas condições de saúde frágeis.
Ademais, a Pandemia da COVID-19 dificultou o diagnóstico e a busca pela cura de muitos pacientes com câncer de próstata. Nesse sentido, é válido ressaltar que, devido a rápida propagação do vírus no país, houve a necessidade do isolamento social em diversas cidades. Esse isolamento, ainda que sirva de prevenção contra a nova doença, diminui a quantidade de homens que vão ao urologista e a de médicos dispostos a fazer o rastreamento do câncer. Dessa maneira, aqueles que são portadores do problema canceriano podem ter suas condições agravadas pelo avanço dos estágios da doença, o que implica na redução da qualidade de vida deles e das pessoas ao seu redor.
Logo, medidas precisam ser tomadas. A fim de que de haja uma maior conscientização sobre o câncer de próstata e que o número de vitimas fatais dele se reduza, é preciso que o Governo Federal, em parceria com a mídia, promova projetos de conscientização e reforce as campanhas do Novembro Azul. Essa ação poderá ser realizada através da produção de conteúdos midiáticos de entretenimento, como “Prison Break”, que mostrem a importância de se prevenir. Detalhadamente, essas produções deverão abordar as consequências de um diagnóstico tardio e, também, as possíveis medidas de segurança para se fazer um exame em tempos difíceis, como o da Pandemia da COVID-19. Assim, muitos indivíduos se conscientizarão e não tomarão atitudes como as de Scoffield.