Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

O SUS (Sistema Único de Saúde) foi criado em 1988 pela Constituição Federal, e assegura a todos os brasileiros acesso à saúde pública. Embora o nível de conscientização da população brasileira tenha aumentado em relação à importância de cuidar da saúde, o grande número de homens que não procuram os serviços de saúde para prevenção de doenças é preocupante. Tal realidade decorre de fatores históricos e sociais, os quais demandam solução urgente.

A princípio, cabe ressaltar como os estereótipos masculinos impostos na sociedade intensificam o problema em questão. Para melhor compreensão, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora, neutraliza e reproduz, ao longo do tempo, estruturas sociais que são impostas a sua realidade. Sob tal ótica, sabe-se que desde a antiguidade, os homens são vistos como chefes de família e figuras de força, o que contribui para a negligência de muitos em busca de consultas médicas quando contraem doenças, pelo fato de sentirem vergonha ou medo. Como consequência, cria-se a ilusão de que homens nunca adoecem e por resistirem a cuidados médicos, a expectativa de vida dos mesmos diminui e os riscos de doença aumentam.

Ademais, é importante pontuar a influência e perpetuação da problemática devido ao machismo. Como evidência, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer(Inca), o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum para o sexo masculino. Nesse sentido ,nota-se que o fato do exame do toque retal ainda ser um tabu entre os homens e não ser realizado com a frequência que deveria, impulsiona um cenário crescente do câncer de próstata em decorrência da falta de prevenção. Logo, a fraqueza e a perda da masculinidade se configuram como preconceitos provenientes da cultura do machismo que dificultam a compreensão do homem de perceber que necessita de ajuda médica.

Portanto, torna-se evidente a superação dos fatores que agravam o problema. Para solucioná-lo, é imperiosa a ação do Ministério da Saúde. A ele compete fomentar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem por meio das políticas já exercidas pelo SUS. Essa medida deve, para garantir sua efetividade, contar com campanhas sobre a importância de cuidar da saúde sexual e a prevenção de violência, a fim de aumentar a prevenção de doenças e acidentes de trabalho, aumentando a expectativa de vida dos homens. Aliado a isso, cabe aos meios midiáticos promover a maior veiculação de campanhas como o “Novembro Azul”, com a finalidade de conscientizar os homens sobre os cuidados com a saúde, principalmente em relação ao câncer de próstata. Dessa forma, será possível combater a problemática em questão.