Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 24/11/2020
O documentário “Ahora / Para O Futuro”, produzido pela Regency Foundation Networx aborda, entre outras questões, a saúde dos homens pelo mundo, mostrando as dificuldades para vencer doenças como o câncer de próstata. Na mesma esteira, esse filme apresenta os desafios para a conscientização quanto a saúde masculina, situação que decorre de fatores culturais e sociais, os quais demandam solução urgente.
Convém destacar, de início, como o preconceito por parte de alguns homens atua de forma determinante para a conscientização ser desafiadora. A esse respeito, mostram-se relevantes as reflexões da filósofa norte-americana Judith Butler, ao abordar o conceito “Papéis de gênero”, no qual são designados comportamentos para o sexo feminino e masculino, como o pensamento de que homem é sempre forte e não precisa se cuidar. Dentro dessa perspectiva, pelos estereótipos criados na sociedade sobre o homem, muitos deles não fazem o exame e temem o e de toque retal, essencial para a prevenção de doenças, e muitos recusam ir ao médico. Como desdobramento crítico desse cenário, torna-se frequente o aumento de casos de câncer de próstata em estágio avançado, já que não descobrem cedo a doença, fato grave que pode desencadear outras inúmeras enfermidades.
Vale ressaltar, ainda, o papel da falta do ensino sobre o assunto no recrudescimento da problemática em questão. Nesse sentido, esse quadro pode ser exemplificado através de uma pesquisa de 2018 do site Viva Bem, em que 50% dos entrevistados nunca realizaram o exame preventivo e 24% porque não gosta ou acha pouco “másculo”, 22% porque não tem sintomas ou idade para realizar, 15% considera o exame de sangue suficiente e 13% não considera o exame necessário. Sob tal ótica, percebe-se que muitos desses homens não entendem e não foram ensinados sobre a gravidade dessa doença. Desse modo, essa situação é preocupante, pois o câncer não é brincadeira e muitas vezes pode levar à morte.
Fica evidente, pois, a urgência em coibir essa preocupante realidade. Para isso, é imperiosa a ação da escola. A ela compete, portanto, realizar debates transdisciplinares que abordem a saúde masculina e a desconstrução de uma masculinidade frágil, com apoio de professores de biologia e sociologia, por sua especialidade, a fim de conscientizar esse grupo a fazerem exames e se cuidarem. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde investir na campanha do novembro azul, para que mais homens tomem precauções. Assim, será possível construir um caminho de superação desse entrave social.