Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

Novembro Azul é uma campanha anual que ocorre durante o mês de novembro que visa chamar a atenção da sociedade, especialmente dos homens, a fim de conscientizar todos sobre questões de saúde masculina, como o câncer de próstata, câncer testicular e suicídio. No entanto, apesar da grande abrangência do movimento, fatores sociais ampliam os desafios dessa conscientização, tornando-se necessário soluções urgentes para estes.

Convém destacar, de início, como o machismo atua dificultando a adesão das pessoas ao movimento. Nesse sentido, fazem-se relevantes as reflexões da filósofa norte americana Judith Butler, a qual, em seu conceito de “papéis de gênero“, argumenta que o patriarcado estipula funções pré determinadas ao sexo feminino e masculino, dividindo papéis hierárquicos entre ambos, de forma que o último se estabeleça superiormente ao primeiro. Dessa maneira, os homens são desde cedo ensinados a não serem sentimentais, para passar, assim, uma imagem de força, desprezando qualquer sinal de fraqueza. Consequentemente, pressão e angústia caem sobre os indivíduos masculinos, uma vez que são proibidos socialmente de expressarem suas verdadeiras identidades, fato que leva muitos deles a cometerem suicídio.

Vale ressaltar, ainda, como o sistema educacional do Brasil tem importante contribuição no recrudescimento da problemática em questão. Nesse contexto, o educador brasileiro Paulo Freire caracteriza o sistema de ensino do país como uma “educação bancária“, a qual é conteudista e mercadológica, não ensinando os alunos a colocarem em prática os conhecimentos adquiridos. Dessa maneira, os estudantes aprendem assuntos como câncer testicular e de próstata na teoria, mas são isentos de uma discussão que esclareça a importância da prevenção e do controle de tal doença em sua vida pessoal. Assim, tal situação torna-se alarmante, uma vez que os indivíduos passam a ignorar as medidas de controle de tal enfermidade, o que pode levar ao agravamento do caso com o diagnóstico tardio da doença.

Portanto, medidas são necessárias a fim de que o problema seja solucionado. Para isso, cabe às escolas trabalharem na formação de indivíduos feministas, por meio da promoção de palestras semanais, com a presença de profissionais capacitados, que desconstruam as ideias patriarcais estabelecidas. Aliado a isso, cabe à mesma instituição introduzir um modo de ensino diferenciado e prático, a fim de que os alunos apliquem na realidade seus aprendizados. Feito isso, futuramente os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina serão reduzidos.