Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

Considera- se novembro azul o mês de campanhas de conscientização sobre doenças que atingem a população masculina, com ênfase na prevenção do câncer de próstata com diagnóstico precoce. Porém, mesmo dada a importância do mês de movimento internacional, parte da população ainda não toma os devidos cuidados ao combate dessas doenças. Esse problema ocorre no país em decorrência de fatores, sobretudo, sociais que demandam solução urgente.

Convém destacar, a princípio ,o papel do machismo para inscícia de muitos indivíduos ao novembro azul. Nesse sentido, fazem-se relevantes as reflexões da filósofa norte-americana Judith Butler ao discutir a ideia do binarismo de gênero estabelecido pelo patriarcado, em que papéis hierárquicos são divididos entre homens e mulheres. Sob essa ótica, na necessidade de provar sua posição social que o foi atribuída, o homem se vê na necessidade de ser “indestrutível” e extremamente forte, recusando as orientações dos profissionais da saúde. Como desdobramento crítico dessa realidade, o índice de casos com diagnósticos tardios cresce cada vez mais, causando mortes por desinformações.

Vale ressaltar, também, a perda de credibilidade das instituições para o recrudescimento da problemática em questão. Segundo o filósofo Lyotard, a partir da década de 60, iniciou-se um processo de descredibilização das instituições, o que culminou na deslegitimação dos antigos paradigmas que guiavam o sujeito, redimensionando-o no mundo de modo a fortalecer as suas verdades, as quais se tornam, portanto, individuais e dogmáticas. Dentro do debate proposto pelo francês, fica evidente que muitos homens ignoram e invalidam os alertas feitos pelo Ministério da Saúde. Consequentemente, o quadro diário de 42 homens que morrem por câncer de próstata se expande, podendo, o câncer de próstata, ultrapassar os índices de câncer de pele, classificado o mais frequente entre os homens.

Portanto, fica evidente que tanto o machismo como a queda dos metarrelatos colaboram são desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina. A fim de refrear o avanço desse cenário, é imperiosa a ação da Mídia , por seu papel na formação da opinião pública e influência. A ela compete, pois, fomentar campanhas educativas e palestras virtuais de profissionais da saúde por meio de ações de merchandising social. Essa medida deve, para garantir sua efetividade, contar com a Escola, meio principal de formação de senso crítico, para ensinar os riscos de todas as doenças desde cedo e necessidades à saude, principalmente masculinas, com a finalidade de previnir e conscientizar todas as idades. Dessa forma, será construído um caminho de superação para a esse grave entrave social.