Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 21/11/2020

Novembro é o mês mundial de combate ao câncer de próstata e, ao observar pontos turísticos marcantes do Brasil, como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro e o Congresso Nacional, em Brasília, iluminados de azul em apoio à campanha, pensa-se que existe grande conscientização social quanto à saúde masculina. No entanto, essa conjuntura enfrenta desafios que ameaçam a expectativa e a qualidade de vida dos homens, os quais vão desde uma masculinidade tóxica a uma falta de informação sobre a doença.

A princípio, é importante frisar que o machismo ainda impede o diagnóstico desse tipo de câncer. Sob essa perspectiva, devido ao fato de o exame de toque retal ser uma das principais formas de detecção precoce da patologia, muitos homens não marcam consultas por preconceito com o método de examinação. Nesse sentido, eles enxergam o procedimento como ameaça à sua masculinidade e perdem a chance de identificar o tumor a tempo. Com efeito, tal comportamento relaciona-se com a “Teoria Estruturalista”, de Pierre Bourdieu, a qual aponta os indivíduos como vítimas, mas também agentes das estruturas sociais. Dessa forma, os homens sofrem as consequências da masculinidade tóxica, porém podem desconstruir tal percepção retrógrada e prezar pela própria saúde.

Somado a isso, convém ressaltar que a falta de informação se constitui como empecilho na luta contra o câncer de próstata. Acerca disso, de acordo com o Instituto do Câncer (Inca), 42 homens morrem diariamente em decorrência da doença, cuja chance de cura é considerável se feita com o diagnóstico em fase inicial. Entretanto, muitas pessoas, principalmente as que vivem mais afastadas dos grandes centros e com menos recursos financeiros e informacionais, não sabem disso e acabam desenvolvendo a doença e identificando-a apenas em estágios mais avançados, normalmente já em fase de metástase. Depreende-se, então, que é indispensável democratizar a informação para que todos os indivíduos tenham a ferramenta do conhecimento para derrotar o câncer.

Fica claro, portanto, que existem desafios no que tange à consolidação da saúde masculina. Por conta disso, para superá-los, o Ministério da Saúde deve organizar o recrudescimento da campanha de prevenção já existente. Isso pode ser feito por meio da gravação de vídeos com grandes atores - vistos como ideal de masculinidade para chamar atenção dos homens -, que falarão sobre a importância de agendar consultas e realizar os exames. Paralelo a isso, outdoors, cartazes e panfletos contendo informações sobre estágios da doença, formas de detecção e imprescindibilidade da prevenção devem ser distribuídos em todas as cidades do Brasil. Tudo isso com o objetivo de quebrar tabus e fornecer conhecimento para construir uma consciência social sólida capaz de combater, de fato, esse câncer.