Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 05/12/2020
Em ‘‘O Auto da Barca do Inferno’’, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere aos desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina. Nesse contexto, torna-se evidente o legado histórico, bem como a lenta mudança na mentalidade.
Em primeiro plano, é preciso atentar para o legado histórico presente na questão. De acordo com Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento de eventos históricos. Nesse sentido, a questão da conscientização e seus desafios em relação a saúde do homem apresenta raízes intrísecas à história brasileira, uma vez que, desde os primordios da formação da sociedade brasileira os homens apresentam certo descaso quanto o assunto é a sua própria saúde.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da lenta mudança da mentalidade. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da saúde do homem, principalmente quanto ligado às questões como a virilidade masculina, é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social opressor, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna a sua solução ainda mais complexa.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para isso, o Ministério da Saúde em conjunto com governos estaduais devem organizar palestras e debates que devem ser ministradas por médicos especializados na saúde do homem e que por meio da apresentação do número crescente de casos de óbito em decorrência do câncer entre a população masculina ocorra a conscientização entre os homens sobre a importância de consultas periódicas.