Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 21/11/2020
No século XX, surgiu o Futurismo, vanguarda europeia caracterizada pela expectativa de um futuro mais evoluído. No entanto, mesmo com os avanços científicos, perpetua-se a baixa adesão a medidas preventivas pelos homens. Tal mazela ocorre não só por conta do patriarcalismo enraizado, como também pelo tabu relacionado à sexualidade. Diante disso, urge analisar os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina, a fim de solucioná-los.
É importante destacar, a princípio, que, ao longo da história, construiu-se a figura do “super-homem”. Essa problemática é derivada do patriarcado, o qual forjou o organismo masculino como resistente às doenças. Nesse sentido, criou-se uma herança sociocultural, em que eles não podem expressar suas fragilidades - evidenciada em frases como “homem não chora”. Por conta disso, ocorre a recusa de parte desses indivíduos em realizar exames preventivos, visto que podem desconstruir a imagem moldada pelo patriarcalismo. Desse modo, é inconcebível que, na atualidade, padrões obsoletos continuem pautando desafios para a conscientização sobre a saúde masculina.
Outro fator relevante é o tabu no que tange ao exame de toque retal, principal medida profilática contra o câncer de próstata. Segundo Kant, o ser humano está na minoridade da razão quando atua de acordo com o senso comum. Nessa perspectiva, a não submissão a esse procedimento, por conta de sua associação à homossexualidade, coaduna com a teoria kantiana. Isso ocorre porque o indivíduo não pensa, criticamente, que essa afirmação é infundada e baseada em uma visão ultrapassada de sexualidade. Dessa forma, é inaceitável que a forma mais eficaz de prevenção ao câncer de próstata seja um tabu derivado da falta de senso crítico.
Fica evidente, portanto, que os desafios para a conscientização sobre a saúde masculina são derivados de padrões culturais. Dito isso, é fundamental que as ONGs - responsáveis por suprir as ausências estatais - promovam discussões sobre a masculinidade, por meio de parcerias com as escolas, nas quais haverão rodas de conversa com especialistas, com o objetivo de desconstruir o ideal patriarcalista e reduzir o tabu sexual, dirimindo, consequentemente, os desafios para a conscientização social. Assim, poder-se-á corresponder, em parte, às expectativas dos futuristas.