Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 23/11/2020
O “Novembro Azul” é uma campanha de conscientização, contida no mês de novembro, dirigida aos homens, a fim de conscientizar a respeito das doenças masculinas, em especial na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata. Sob essa lógica, atualmente no Brasil, a necessidade da criação de tal fenômeno foi devido aos empecilhos encontrados, como o preconceito e o descuido, em relação aos cuidados dos homens para com a própria saúde. Dessa forma, é necessária reversibilidade desse quadro.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o preconceito é um dos principais impasses no que tange a prevenção das doenças que afetam, majoritariamente, os homens. Nessa perspectiva, segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de próstata é o segundo que mais causa mortes entre os homens, logo depreende-se que uma das causas que explica a alta taxa de mortalidade é o receio, por parte masculina, de sentirem sua masculinidade infringida. Pois, desde a Grécia, os homens se sentiam no poder de serem agentes ativos no sexo, mas nunca passivos, em vista de que o ânus - em especial, para o homem hétero - era um lugar “inviolável”. Dessa maneira, essa mentalidade persiste até os dias de hoje e impede essas pessoas de cuidarem do próprio bem estar.
Ademais, o descuido dos homens com a saúde também é um obstáculo que dificulta a plenitude desse cenário. De acordo com a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) , no Brasil, os homens vivem, em média, sete anos menos do que as mulheres e têm mais doenças do coração, câncer, entre outras. Sendo assim, é perceptível que a falta de exames periódicos, o negligenciamento com a saúde psicológica -que pode levar a um suicídio- somada a auto medicação e o preconceito para tratar determinadas doenças -como HIV- são fatores que exemplificam esse descuido e intensificam as estatísticas citadas.
Portanto, a partir de um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo, o qual mostra que 70% das pessoas do sexo masculino, que procuram um consultório médico, tiveram a influência da mulher ou dos filhos, é dever do Governo fornecer subsídios aos municípios, estes que deverão promover palestras em locais públicos, como praças, por meio da abordagem do assunto da saúde masculina, assim como a prevenção e os cuidados. Não menos importante, tais eventos devem ser abertos para todas às famílias -de modo que, caso algum homem não possa ir, a família poderá aconselhá-lo e incentivá-lo, tendo, por fim, a naturalização da precaução com a saúde masculina, a minimização do preconceito e a efetivação da necessidade da criação do Novembro Azul.