Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 22/11/2020
De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal brasileira, de 1988, é dever do Estado assegurar o direito à saúde a todos os cidadãos, contemplando a prevenção de doenças. Nesse sentido, mesmo com esse direito garantido, é perceptível o descaso da população masculina quanto à saúde. Contudo, o preconceito dos homens em relação a alguns exames e a escassez de debates acerca do tema, são considerados fatores que colaboram para o aumento de pacientes que descobrem doenças em suas fases terminais, consequentemente, uma problemática a ser debatida no Brasil.
Em primeira análise, é necessário pautarmos os impasses de uma sociedade patriarcal. Sob esse âmbito, o patriarcado é um sistema social em que os homens mantêm o poder primário de uma civilização, visto que tal comportamento não prejudica apenas as mulheres, mas também a saúde dos homens. A esse respeito, o sociólogo alemão Max Weber trabalha com a ideia de “Tipo Ideal”, posto que o homem é o tipo ideal da sociedade, este é considerado o sinônimo de humanidade e representante do conceito arquétipo social. Desta maneira, esse padrão é nocivo, já que a masculinidade imposta submete o indivíduo a situações extremamente prejudiciais à sua saúde, pois muitos homens não procuram ajuda, a fim de manter sua postura masculina.
Ademais, urge considerar que é necessário debater frequentemente vertentes da saúde e da cultura do autocuidado pregada pelos homens. Essa lógica pode ser confirmada pelo posicionamento do filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, segundo ele, a modernidade líquida trouxe consigo a superficialidade nas relações dos indivíduos e de seus problemas, ou seja, a sociedade está tão superficial que entende como suficiente o debate de pautas sociais em meses isolados. Deste modo, Novembro Azul é o mês de conscientização do câncer de próstata, mas não é uma tendência apenas desse mês, uma vez que há novos casos todos os dias, bem como há diversas outras doenças que os homens podem estar expostos, dificultando ainda mais o bem estar desta população.
Portanto, para que as gerações futuras preze pela saúde, medidas devem ser tomadas. O Ministério da Saúde deve, disseminar por meio de veículos midiáticos (TV, Rádio, Redes Sociais etc), relatos acerca das doenças em que mais atinge os homens, como câncer de próstata, depressão, obesidade, entre outras, abordando medidas preventivas e a importância de ter acompanhamento com um médico urologista, a fim de cultivar nessa população à cultura do autocuidado, além de estimular hábitos saudáveis. Com isso, espera-se que os homens brasileiros prezem por uma vida saudável.