Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 23/11/2020

Novembro Azul é uma campanha que envolve 21 países e objetiva conscientizar a população sobre a importância dos cuidados com a saúde masculina. Tal ação é uma mostra dos esforços do Poder Público na promoção do autocuidado a esse segmento. Entretanto, há resistência dos homens em relação à busca por auxílio, a qual deriva do machismo inveterado na sociedade e resulta em riscos à saúde e qualidade de vida dos sujeitos.

A princípio, o machismo sociocultural é um entrave. Tal conjuntura tem como fonte a herança de valores judaico-cristãos predominantes no imaginário popular, pois, na Bíblia, há um trecho que afirma “Esforça-te e sê homem”, o que indica a aceitação do sofrimento sem ajuda ou busca por soluções como uma característica louvável nos machos. Isso é exemplificado por frases corriqueiras como “Seja homem!” e “Homens não choram!”. A partir disso, depreende-se a razão desse público ter menor zelo pela própria higidez. Portanto, o comportamento refratário de muitos indivíduos nesse aspecto origina-se nos fundamentos socioculturais.

Por consequência, essa postura conduz a prejuízos à salubridade. Tais perigos não se restringem a efeitos biológicos, visto que, segundo a Organização Mundial da Saúde, estar saudável é uma condição de bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doenças fisiológicas. Sob essa perspectiva, além dos cânceres, alterações na pressão arterial, diabetes e outras mazelas, problemáticas de outras naturezas, como a depressão e a dependência química também são mais possibilitadas naqueles que não acessam a assistência em saúde. Desse modo, o descuido com a própria situação expõe o homem a danos diversos.

Dado o exposto, é essencial enfrentar as raízes machistas e os impactos maléficos do problema tratado. Para tanto, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, mediante estudo elaborado em conjunto pelos corpos técnicos de ambos os órgãos, devem inserir na Base Nacional Comum Curricular a ênfase na prevenção de enfermidades comuns masculinas na grade do 6° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio, a fim de desconstruir os elementos que constrangem o grupo social em questão de prevenir-se quanto à higidez. Assim, é possível vislumbrar a superação dos desafios à conscientização sobre o autocuidado dos machos.