Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 23/11/2020

O personagem bíblico Sansão era conhecido por sua grande força física, porém, seu poder seria perdido caso cortasse seus cabelos compridos. De maneira análoga, no Brasil, aspectos sociais e culturais reproduzem estereótipos machistas de que os homens devem ter um padrão de comportamento que não comprometa sua masculinidade e virilidade, afetando, dentre outros aspectos, a forma como essas pessoas cuidam da sua saúde. Não obstante, a influência cultural e a pouca discussão sobre o tema desafiam o rompimento dessa barreira no que tange a saúde masculina. Por isso, torna-se necessário o debate acerca desses fatores.

De acordo com a ideia de tábula rasa de John Locke, o indivíduo, ao nascer, é como uma folha em branco, sendo moldado ao longo da vida pelas experiências. Portanto, o que apreende é algo externo a si e resultado da sociedade na qual está inserido. Nessa lógica, a cultura patriarcal, formadora da sociedade brasileira, imprime subjetivamente nos meninos a concepção de que não pode haver vulnerabilidade no sexo masculino. Dessa forma, quando adultos, grande parte dos homens tende a não se preocupar com exames preventivos, rotineiros e consultas médicas. Consequentemente, ficam sujeitos a descobrir doenças tardiamente, como o câncer de próstata, prejudicando o tratamento e as chances de cura.

Outrossim, conforme o filósofo Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, se a ação comunicativa é o motor para as transformações sociais, a falta de diálogo sobre a atenção necessária à saúde do homem dificulta a conscientização da população. Isso ocorre porque esse tema ainda não é difundido na vida pública e nas interações particulares de cada indivíduo, ficando restrito ao mês de novembro, quando ocorre a campanha Novembro Azul, ou tão somente aos centros de saúde. Faz-se imprescindível que a discussão levantada pelo Ministério da Saúde se expanda para o ano todo, e ocorra no dia-a-dia, em todos os âmbitos da vida privada.

Fica clara, tão logo, a importância da comunicação para romper estereótipos e promover o bem estar social. Para tanto, a fim de minimizar a problemática, faz-se necessário que a escola dissemine os valores da inteligência emocional em seus alunos, sobretudo nos meninos, como forma de desconstruir concepções machistas e limitantes, por meio de palestras, rodas de conversa e brincadeiras educativas. Ademais, ONGs podem contribuir promovendo o diálogo nas mídias sociais, criando espaços para divulgar informações sobre doenças que acometem os homens e a necessidade de cuidados preventivos. Enfim, a partir dessas ações, o mito da invulnerabilidade masculina não mais se repetirá.