Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 23/11/2020

No livro ‘‘A culpa é das estrelas’’ de John Green, o autor aborda a história de dois jovens que lutam diariamente contra o câncer. Saindo do universo da ficção, verifica-se que a doença focada na obra de Green é muito comum na realidade brasileira, sendo um dos seus principais casos, o de próstata. Entretanto, apesar da grande ocorrência e abordagem do tema, pela campanha do Novembro Azul, ainda há a falta de conscientização do público masculino. Logo, é necessário que se mitigue a desinformação e o preconceito enraizado na sociedade.

É indubitável que a indiferença por busca de informação pelos homens agrava a problemática. Segundo o autor José Saramago, o pior cego é aquele que não quer ver. Dessa maneira, o público alvo da campanha do mês de Novembro quando fecha os olhos para 42 mortes de seus iguais para a doença diariamente, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer; confirma, lamentavelmente, os dizeres do autor Saramago. Logo, é necessário que dados como os publicados pelo Inca tenham uma maior propagação visando a saída do estado de cegueira humana.

Outrossim, a desenraização do preconceito se faz essencial para que o problema saia da inércia. Conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade tende a incorporar e naturalizar posturas arcaicas. Assim, a homofobia, presente nas bases brasileiras, ganha lugar em meio ao tema, uma vez que para o diagnóstico precoce do câncer é preciso a realização do exame de toque retal, que infelizmente, é associado pelos homens como algo homossexual e que pode interferir na masculinidade dos mesmos. Desse modo, faz-se crucial, a ruptura de posturas errôneas enraizadas no Brasil e desassociação do  pensamento da relação do exame com uma parcela do grupo LGBT.

É evidente, portanto, que a conscientização acerca da saúde masculina carece de mais atenção. Urge, portanto, que o Ministério da Educação insira nos livros didáticos a importância dos cuidados com a doença, visando formar indivíduos descontruídos e informados, além de implementar nas escolas, palestras pais e filhos sobre o tema, incentivando os adultos a realizar o exame de prevenção. Ademais, cabe às instituições de ensino abordarem também em sala de aula sobre o preconceito com a população homossexual, buscando ensinar aos alunos como desincorporar e desnaturalizar posturas arcaicas, o contrário do pensamento de Bourdieu.