Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 25/11/2020
Homens de verdade ficam doentes
Com o advento da globalização, no século passado, foram possibilitados incontáveis avanços tecnológicos, sobretudo na biologia e medicina. Entretanto, embora hoje haja um conhecimento vasto sobre enfermidades, suas curas e suas prevenções, a mentalidade da população masculina continua retrógrada, que se nega a tomar os cuidados médicos básicos. Dessa forma, cabe analisar os desafios para a conscientização de homens sobre sua saúde, com problemas relacionados à rotina exaustiva que a população se encontra, junto do machismo inerente à parcela.
Diante do contexto, cabe ressaltar, em primeira análise, o cansaço e a falta de tempo como inibidores da busca por uma vida mais saudável. Ao adotar-se o ideário de Schopenhauer acerca da conjuntura, que indica que o homem só se importa com aquilo presente em sua realidade palpável, entende-se que, na ausência de sintomas debilitantes, as pessoas tendem a ignorar possíveis males. Nisso, em uma sociedade capitalista e meritocrata, a “perda de tempo” gera prejuízo, e a saúde é ignorada. Logo, é indubitável que a rotina cansativa hodierna é fator causal ao descaso com a saúde no setor masculino.
Ademais, é notável o preconceito direcionado a homens que buscam ajuda médica, com raízes no machismo. Com base na teoria do Fato Social, do sociólogo Emile Durkheim, nota-se a existência de normas coercitivas na convivência social. Ao analisar a situação sob tal ótica, nota-se que, ainda com base em pensamentos de séculos passados, homens que procuram tratar ou prevenir certas doenças, como aquelas na próstata, que requerem exame de toque retal, são julgados homossexuais, corroborando para a ausência de tal prática. Desse modo, é incontrovertível que o machismo é prejudicial à saúde masculina.
Destarte, devido ao supracitado, é perceptível a necessidade de medidas para promover maior conscientização no que tange o imbróglio. Cabe ao Ministério da Saúde, em consonância da Secretaria da Comunicação, por meio de campanhas midiáticas de veiculação em televisão, internet e outdoors, democratizar o acesso à informações sobre as doenças que mais acometem homens no Brasil. Tal medida tem como objetivo que, partindo da superexposição, seja possível superar o machismo e a banalização e conscientizar a todos acerca da importância de se dar atenção à saúde masculina. Assim, a população brasileira será mais saudável e consciente.