Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 28/11/2020

Criada em 2003, na Austrália, a campanha do Novembro Azul é voltada para a conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata. Realizada por diversas entidades no mês de novembro e dirigida à sociedade, em especial, aos homens, rapidamente muitos países aderiram a ela, entre eles o Brasil. Contudo, ainda há muitos desafios para que a conscientização social quanto à saúde masculina seja alcançada plenamente no Brasil, por isso é necessário se discutir quais seriam tais entraves, além de propor possível proposta de intervenção.

Primeiro, os valores que sustentam o machismo e o patriarcado ainda estão bastante arraigados na sociedade ocidental, afetando até mesmo no modo como a parcela masculina da população lida com a sua própria saúde. Segundo o pesquisador Romeu Gomes, doutor em Saúde Pública, o público masculino pouco procura os serviços de saúde. Isso ocorre por vários motivos, e entre eles, destaca-se a visão machista de que os cuidados em geral são algo feminino ou infantil. Além disso, infelizmente, há ainda o pensamento de que para se afirmar como homem é necessário passar a imagem de forte e invencível, de modo que o indivíduo só busca ajuda quando os problemas se agravam muito.

Além disso, no tocante à prevenção do câncer de próstata, — doença que mata em média mais de 40 homens no Brasil diariamente e que aflige aproximadamente outros 3 milhões, daí por que tal câncer receber tanta ênfase no Novembro Azul — ela também encontra grande resistência em razão de um preconceito acentuado na população, devido a necessidade do toque retal para que ele seja realizado. Assim, a necessidade do urologista em tocar essa região contígua ao ânus, essencial para avaliar a próstata, é visto por muitos como uma ataque direto à masculinidade. Todavia, ao contrário do que muitos pensam, embora seja um pouco invasivo e desconfortável, o exame é muito rápido, dura cerca de 10 a 20 segundos e não dói.

Desse modo, tendo em vista que muitas das doenças que afligem o sexo do masculino poderiam ser evitadas se não houvesse o já discutido preconceito social, a família é um agente fundamental no câmbio de tal mentalidade retrógrada. Certamente, ela pode e deve ser o agente conscientizador dos seus membros homens por meio de conselhos, lembretes e auxílio a respeito de assuntos que envolvam a saúde masculina, por exemplo, a necessidade da realização do exame da próstata depois dos 45 anos. Então, espera-se que com isso as próximas gerações masculinas se mostrem menos resistente ao cuidado pessoal e os seus índices de mortalidade sejam significativamente reduzidos.