Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 28/11/2020
“Alcançar a Igualdade de Gênero” é um Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, cujo prazo é o ano de 2030. Esse tempo, ao se tratar do Brasil, é estimado como insuficiente, pois são amplos os desafios no que concerne à desigualdade de gênero, essencialmente no âmbito da saúde. No país, por existir uma construção social na qual meninos são sempre fortes e meninas sempre frágeis, mais homens, com receio de terem sua sexualidade questionada, deixam de fazer exames preventivos, o que aumenta o quantitativo de doenças nas quais pessoas desse gênero são as vítimas.
A priori, é inegável que a masculinidade tóxica, a qual traz consigo a noção de que o ato de cuidar da saúde é característico de garotas ou de garotos homossexuais, é um dos desafios para se conseguir conscientizar os indivíduos quanto à necessidade dos homens irem ao médico. Isso acontece porque, segundo a escritora Simone de Beauvoir, “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, isto é, a sociedade constrói, a partir da ideia de que alguns hábitos são exclusivos de um ou do outro gênero, uma ideia do que é ser mulher e, consequentemente, do que é ser homem. A fim de não serem socialmente mal vistos, meninos crescem adotando essa perspectiva preconceituosa, por isso acabam não tendo a prática de cuidar da saúde, reiterando, portanto, o impacto negativo dessa masculinidade tóxica.
Como consequência disso, mais homens tornam-se vítimas fatais de doenças que requerem exames preventivos para realização de diagnósticos precoces, como é, normalmente, o caso dos cânceres. Desta forma, acabam sendo mínimas as chances de reverter os danos já existentes ou de precaver futuros. Sobre isso, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) explica que, em caso de Câncer de Próstata, por exemplo, ao ocorrer a metástase, isto é, a multiplicação das células danificadas, outras regiões do corpo são vitimadas, o que afeta ainda mais o organismo do indivíduo. Tal fato justifica o porquê do Câncer de Próstata ser, segundo a instituição, a segunda maior causa de morte dos homens, reverberando a necessidade de se estimular a ida de pessoas do sexo masculino ao médico.
Destarte, urge que medidas sejam implementadas para contornar essa situação de impasse. O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, a fim alertar os jovens, desde a infância, sobre a importância do zelo pela saúde e da não associação desse hábito apenas às meninas, deve realizar campanhas acerca dessa temática nas instituições de ensino público do país. Isso deve ser feito, também, por meio de cartazes contendo os efeitos colaterais de doenças, como o câncer de próstata, que podem ser fatais caso não se pratique a realização de exames. Com a execução dessa medida, espera-se que o tempo para cumprir os citados ODS no Brasil seja mais do que suficiente.