Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 25/11/2020
O filme “Creed”, da famosa franquia “Rocky Balboa”, abordou, entre outros assuntos, a resistência do lutador Rocky em realizar seu tratamento de câncer. Fora das telas, a decisão tomada pelo personagem principal representa a realidade de inúmeros homens brasileiros, os quais persistem em negligenciar cuidados com sua própria saúde, o que demonstra os desafios enfrentados para conscientizar esses indivíduos. Nesse sentido, faz-se preciso compreender as causas que culminam nessa relutância e as consequências dessa postura na vida masculina.
A princípio, é necessário entender as raízes dessa problemática. Assim sendo, a figura machista construída ao longo dos anos culminou em uma visão de autocuidado, muitas vezes, associada à ideia de que admitir a possibilidade de doença fosse uma “fraqueza”, incompatível com a masculinidade desenvolvida. Desse modo, a “masculinidade hegemônica” é um conceito criado pela cientista social Raewyn Connell, em 1982, e é entendido como o padrão de práticas que perpetuam o homem como dominante, inferindo que este não pode adotar determinadas condutas. Logo, nota-se que essa visão patriarcal admite um prejuízo para a manutenção da qualidade de vida desses cidadãos.
Ademais, esse grupo específico, conforme dados do Ministério da Saúde, apresenta uma alimentação menos saudável do que de mulheres no geral, estão mais envolvidos em casos de violência, além de apresentarem a maior parcela de consumidores de álcool e outras drogas, realidade a qual não vem acompanhada de consultas e acompanhamento médico. Nesse cenário, a falta de conscientização acerca da importância de se prevenir apresenta consequências negativas para os afetados. Assim, em 2016, os homens viviam em média 7,1 anos a menos do que as mulheres, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), devido à maior probabilidade de adquirirem doenças cardíacas, lesões e enfermidades nos aparelhos digestivo e respiratório.
Diante do exposto, é nítida a necessidade de conscientização social quanto ao bem-estar desses sujeitos. Portanto, cabe ao governo - entidade máxima na elaboração de leis-, por intermédio do Ministério da Saúde, investir na divulgação de campanhas de incentivo à prevenção de doenças e despertar na população masculina o sentimento de preservação. Dessa maneira, tal ato será concretizado por meio de propagandas, cartazes e outdoors direcionados para o público masculino, além da realização de palestras em locais públicos por agentes da saúde, os quais usufruam de dados estatísticos e ensinem sobre os malefícios oriundos pela falta de cuidado, com o fito de desmistificar exames, como o de próstata, e garantir o cuidado de todos de maneira igualitária. À vista disso, será possível romper com a situação apresentada por Connel, afastando-se do contexto vivido por Rocky.