Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 24/11/2020
Segundo dados do Instituto Oswaldo Cruz, o câncer de próstata é a segunda maior causa de morte entre pessoas do sexo masculino no Brasil. Todo ano, durante o mês de Novembro, são feitas campanhas de saúde, com o objetivo de conscientizar a população masculina a adotar medidas preventivas e alertar sobre a gravidade desse problema de saúde. Entretanto, essa conscientização social não é tão eficiente, principalmente entre a população mais carente, que não possui acesso adequado à educação de qualidade para prevenção de doenças, no geral. Somado a isso, existe preconceito entre os homens com relação ao exame do toque retal, para identificação desse tumor. Dessa maneira, essa enfermidade se tornou um grave problema social que precisa de soluções.
Primeiramente, é certo que, no Brasil, a educação precária de pessoas de condição menos favorecida se torna um empecilho à precaução do câncer de próstata. Nesse sentido, por mais que campanhas de saúde alertem sobre a gravidade desse câncer e a necessidade de se ir a um urologista, pelo menos uma vez por ano, a cultura popular de só procurar atendimento médico quando existem sinais claros de enfermidades perpetua a negligência da população em relação a prevenção dessa moléstia. Portanto, o combate a essa doença nos estágios iniciais de desenvolvimento torna-se comprometido, já que essas pessoas só irão buscar ajuda em etapas avançadas do desenvolvimento do tumor de próstata.
Além disso, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia, 80% dos homens não realizam o exame do toque retal pra identificação do câncer através de nódulos ou tecidos endurecidos na região prostática, por preconceito. Dessa maneira, vários homens tem receio em realizar o exame por possuírem rejeição e vergonha à submeterem uma região mais íntima para análise de um médico urologista. Por consequência, mesmo que o atendimento seja totalmente profissional e o toque retal seja indolor, o pensamento machista que se perpetua na sociedade é um agravante da identificação tardia da doença.
Destarte, são necessárias medidas que minimizem tais problemas em questão no Brasil. Com esse propósito, o Estado deve realizar parcerias público-privadas, em que hospitais privados e operadoras de planos de saúde recebam benefícios fiscais em troca de investimentos, para alocar recursos para a construção de uma unidade do SUS especializada no combate ao câncer de próstata, que realize operações de conscientização, com agentes de saúde, em regiões mais carentes, esclarecendo para a população a gravidade da doença. Essa ação acarretará uma diminuição da ignorância da sociedade a respeito do tema. Em adição, para reduzir o preconceito e o machismo, é salutar que a mídia televisiva e virtual, devido a sua função social de gerar reflexão, aborde o assunto do exame do toque retal.