Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 25/11/2020

“Construímos muitos muros e poucas pontes”. Essa afirmação do teólogo e cientista inglês Issac Newton pode ser facilmente aplicada à conscientização social quanto à saúde masculina, já que essa problemática é marcada na sociedade por concentrar a construção de barreiras sociais e escassez de medidas para sua erradicação. Assim, torna-se claro que essa panorama tem origem na falta de cuidado de muitos homens sobre o  câncer de próstata. Desse modo, atuam também agravando o quadro central a inerência governamental e o preconceito de alguns setores do corpo civil.

Primeiramente, é importante destacar que o Poder Público não cumpre o seu papel de agente social, visto que, em conformidade com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de três milhões de brasileiros têm tal transtorno. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Nessa perspectiva, para que o organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, isso não ocorre, visto que a omissão do Estado na saúde - algo inconstitucional - é um muro para alcançar uma total compreensão do câncer de próstata no Brasil.

Ademais, o principal desafio para atingir à conscientização social é o preconceito sobre a forma de fazer o exame de toque retal - na qual o urologista checa o câncer, com o seu dedo, no ânus do homem. Apesar de ser um processo rápido e indolor, algumas camadas da agremiação consideram uma prática fora do padrão de masculinidade, algo inepto que colabora para a perpetuação das mais de quinze mil mortes anuais pela doença, de acordo com INCA. Nesse sentido, o célebre filósofo Pierre Bourdieu, em sua teoria do Habitus, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos pelos indivíduos. Dessa maneira, essa negligência continuará a ser disseminada, enquanto não houver políticas afirmativas que transmutem esse cenário caótico.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para tanto, o Ministério da Saúde deve promover juntamente com o setor midiático, conscientização social quanto à saúde masculina: práticas de autocuidado, explicação sobre o Câncer de Próstata e, principalmente, a mitigação do preconceito. Tal ação pode ser instrumentalizada em comerciais, nos horários nobres, na televisão, lugar em que a maior parte da população tem acesso, mediadas por médicos renomados como o doutor Dráuzio Varella, objetivando o aumento da prevenção da enfermidade. Desse modo, haverá menos muros, mais pontes e um sistema coeso.