Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 05/12/2020

O documentário norte-americano “The Mask You Live In”  traz à tona a reflexão sobre o paradigma da educação machista. A produção questiona os efeitos nocivos que isso pode acarretar nas crianças e adolescentes que aprendem ou fingem reprimir seus verdadeiros sentimentos em nome do que é socialmente aceito. De maneira análoga, na contemporaneidade, essa é uma realidade presente no Brasil, visto que muitos são os desafios para a conscientização social quanto a saúde masculina. Nesse sentido, tanto a questão do tabu gerado em torno dos cuidados masculinos, quanto as desigualdades presentes contribuem para a persistência da problemática.

Em primeira instância, vale salientar a interferência da própria população nesse contexto. Segundo o filósofo Platão, a orientação inicial que alguém recebe da educação marca sua conduta ulterior. Assim sendo, muitos meninos crescem ouvindo que devem rejeitar todo e qualquer comportamento e sentimento que demonstre sensibilidade. Em consequência disso, muitos homens por terem aprendido a nunca se cuidar, rejeitam comportamentos necessários como a ida ao médico, prejudicando toda a sua conduta de vida, pois quando deixam de ter consultas rotineiras, problemas como o câncer de próstata podem ser diagnosticados tarde demais, levando o indivíduo até a morte. Dado que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), por dia, 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata. Dessa forma, é claro que caminhos são necessários para diminuir números como esses.

Outrossim, é percetível que a corroboraçao dessa circunstância se deve às falhas na execução das leis. Segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de forma que seja alcançado o equilíbrio social na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, embora esteja assegurado na constituição a igualdade de todos perante à lei, esse equilíbrio é desfeito pela continência de direitos -como o da saúde e educação - às camadas mais altas da sociedade. Visto que, ainda há uma grande parcela da população que sequer têm acesso à saúde e educação de qualidade, o que acarreta prejuízos extremos para se lidar com questões como a  de saúde masculina, pois muitos homens ainda precisam vencer a desinformação e ter um acesso pleno à saúde para ganhar qualidade de vida.

Diante do exposto, portanto, caminhos são necessários para a conscientização social quanto à saúde masculina. O Ministério da Saúde deve elaborar nas escolas projetos mediante aulas contextualizadas e fóruns de discussões -envolvendo alunos e comunidade- sobre a importância dos cuidados acerca da saúde masculina, abordando hábitos de prevenção que devem ser tomados para evitar futuras consequências. Tudo isso com o objetivo de intensificar a conscientização produzida por campanhas como a do Novembro Azul, a fim de educar e construir jovens mais analíticos.