Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

A campanha da luta contra o câncer de próstata é realizada, mundialmente, no décimo primeiro mês do ano. Apelidada de “Novembro Azul”, os esforços da organização objetivam a redução do grande número de vítimas fatais da doença, as quais são, em sua maioria, em função da ausência de diagnóstico e do problema de acesso à saúde. Nesse contexto, percebe-se que é importante superar tais desafios e promover a conscientização social quanto à saúde masculina.

Frente a esse cenário, cabe discutir acerca da realização do exame do toque retal. Sabe-se que, hodiernamente, o estigma social perante a consulta para diagnosticar o câncer é comumente atrelado à uma visão depreciativa que relaciona os cuidados na região com a homoafetividade. A comparação, ainda que incoerente, demonstra a prioridade que o preconceito tem diante da preocupação para com a própria saúde. De acordo com o filósofo estadunidense Henry David, nunca é tarde demais para abrir mão dos preconceitos, e, sabendo que a doença afeta, principalmente, homens na fase tardia da vida, torna-se ainda mais importante considerar a afirmação.

Paralelo a isso, a dificuldade de acesso à saúde é um impasse para a identificação do tumor e posterior tratamento. Criado em 1989, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem o propósito de atender, gratuitamente, às necessidades de todos os brasileiros na rede pública, incluindo o exame do toque. Não obstante, o desvio de verbas para a saúde da população impede a distribuição de centrais de atendimento pelo país, deixando pacientes na lista de espera por tempo indetermindado. É evidente que, sem investimento na área, a realidade da erradicação das taxas de óbitos pelo câncer de próstata é distanciada dos brasileiros.

Depreende-se, portanto, que o Ministério da Saúde deve focar em propagandas informativas de diminuição do preconceito referente à consulta, através dos meios de comunicação usafos pela campanha já existente de conscientização do Novembro Azul, a fim de distanciar da realidade masculina o risco de morte pelo câncer de próstata. Além disso, o mesmo ministério deve centralizar os seus investimentos no desenvolvimento e distribuição de mais hospitais e postos de saúde, para que a população seja amparada com mais facilidade e agilidade pela rede pública.