Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 25/11/2020
“Aquele que não tem tempo para cuidar da saúde vai ter que arrumar tempo para cuidar da doença” essa afirmação, do escritor brasileiro Lair Ribeiro, pode ser aplicada ao contexto que trespassa o tempo, o novembro azul, dedicado ao sexo masculino, para alertar sobre doenças que são postas de lado, muitas vezes pelo machismo e pela falta de informação sobre elas.
Em primeiro lugar, o poder patriarcal - em que os homens mantém a liderança em diversas posições -, aliado ao machismo estrutural, gera mitos acerca da saúde do homem e como ele deve se comportar. Logo, isso influencia diretamente nas idas e vindas ao médico por parte do sexo masculino, uma vez que, perpetua o paradigma desde crianças de que eles “não ficam doentes facilmente”, “não podem faltar do serviço para ir ao médico”, e outros, sendo que, de acordo com o Ministério da Saúde, a cada três pessoas que morrem no Brasil, duas são do sexo masculino. E o que impulsiona esse cenário, é o fato de que muitos não buscam exames de rotina, o que só proporciona o descobrimento de doenças, como o câncer de próstata e pulmão, já em suas fase avançadas, tornando mais difícil o tratamento. Dessa forma, é imperativo que haja a quebra desses tabus na contemporaneidade de uma vez por todas.
Em segundo lugar, os mitos expostos acima, aliados a falta de informações, gera a negligência do homem com a saúde. Uma vez que, essas utopias são mentiras enraizadas na sociedade, muitos homens não buscam entender sobre a própria saúde por acharem que são invencíveis, de certo modo, o que vai se passando de geração para geração, e alimentando os preconceitos vigentes sobre aqueles homens que vão ao médico. E mesmo que o artigo da Constituição federal afirme que a saúde é direitos de todos e dever do Estado, há muitas falhas nesse sistema, que não abrange e informa sobre a saúde masculina e atende, homens em situação de rua e em locais marginalizados, e com essa cultura patriarcal, só torna mais caótico essa conjuntura.
Assim, sob esse viés, é imprescindível que os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina, devem ser superados. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, com o auxílio da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), e das grandes mídias, criar um programa dedicado à exemplificar doenças que podem acometer aos homens e como tratá-las, para que mostre à sociedade que ninguém é imune a nada, e que incentive a ida masculina ao médico rotineiramente. E, por meio de um projeto de lei, com integração das escolas, divulgar em palestras informativas sobre o novembro azul e o porquê dele, e com ONGs, criar postos móveis para levar informação e auxílio médico a quem não tem acesso, para que se diminua o número de mortes por negligência no país.