Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 01/12/2020

O mês de novembro é conhecido pela campanha do Novembro Azul, a qual é dedicada a prevenção e ao combate ao câncer de próstata. Sendo esse o tipo de câncer mais comum e ainda classificado em segundo lugar na lista de causa de mortes entre os homens, torna-se necessário destacar sobre os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina, visto que a falta de argumentação sobre a importância da campanha e o tabu existente acerca da temática configuram-se impasses para a resolução do problema.

Em primeiro lugar, a ausência de debates sobre a doença e seus malefícios torna o cenário desafiador. Segundo o filósofo Habermas, “a linguagem é uma verdadeira forma de ação”. Sob essa perspectiva, a não discussão sobre o câncer de próstata, assim como, sobre os métodos e ações para a prevenção e até medidas para o tratamento inviabilizam a conscientização sobre a problemática. Dessa forma, a falta de informação corrobora para o aumento de casos e, consequentemente, o aumento do número de mortes, já que por ser um tipo de câncer de fácil detecção e tratamento eficaz, o conhecimento torna-se a principal tática de combate e abre espaço para uma boa qualidade de vida dos homens brasileiros.

Em paralelo, o tabu criado na sociedade sobre a doença e, principalmente, sobre os exames realizados é outro empecilho para a saúde brasileira. De acordo com o físico Albert Einstein, é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito. A partir disso, ideias e opiniões pré-concebidas acerca dos exames feitos no diagnóstico do câncer de próstata, como o conhecido exame do toque, contribuem para o sentimento de vergonha, de medo e até mesmo para o pensamento errôneo de que, ao ser feito o exame, a masculinidade possa ser afetada. Nesse sentido, as pessoas do sexo masculino deixam de realizar tais procedimentos e acompanhamentos médicos acentuando os riscos diretamente à saúde destes, o que segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) já afeta mais de 60 mil brasileiros só no ano de 2020.

É inegável, portanto, intervenções que promovam a conscientização da sociedade e que minimizem os efeitos negativos à saúde masculina. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com empresas a promoção de palestras, rodas de conversas e semanas especiais com a temática do Novembro Azul. Isso pode ser feito por meio de palestras, mutirão de exames e consultas com ajuda de médicos e especialistas, a fim de exaltar a importância da prevenção, de uma rotina de exames frente ao combate ao câncer de próstata, além de possibilitar o bem estar e uma melhor qualidade de vida para milhares de homens no Brasil.