Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 24/11/2020

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social. De acordo com essa ótica, a preocupação com a conscientização da sociedade masculina em relação a sua saúde deriva da violação dos três requisitos citados. Em outras palavras, as causas do câncer de próstata encontram-se também no meio social e mental da população masculina. Dessa forma, pode-se afirmar que os desafios para a conscientização se estruturam na fragilidade construída em torno de uma ´´masculinidade´´ e na pouca preocupação na reeducação dessa consciência.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em muito, dos sintomas físicos que essa doença pode causar. Conforme pesquisas da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, quatro em cada dez brasileiros escolhem não realizar exames preventivos contra o câncer. Sob esse viés, pode-se depreender que os obstáculos para uma maior prevenção dessa enfermidade não se tratam apenas da conscientização e prevenção, como também da negligencia contra a ação, baseado em uma construção social masculina que, de acordo com esse pensamento, coloca em julgamento a ´´masculinidade´´ do homem, devido à possibilidade de contato físico em regiões íntimas no exame de toque retal, o que demonstra a fragilidade social com sua própria saúde .

Em segundo plano, faz-se necessário a análise do fato de que as atuais campanhas preventivas não se mostram tão efetivas quanto poderiam ser, caso fossem implantadas na raiz dessa problemática. Como apresentado pelas pesquisas do Instituto Nacional de Câncer, seis em cada dez pessoas acometidas por essa doença possuem mais de 65 anos de idade. Assim sendo, pode-se perceber que o foco da reestruturação da mentalidade masculina deveria ser mais intensa onde essa parcela da população está passando por um processo intenso de formação intelectual e social - nos meios educacionais, para que, quando atingirem a idade mais acometida por essa patologia, não hesitem ou se apoiem em crenças ultrapassadas para a realização dos exames preventivos.

Logo, fica evidente a importância da reconstrução mental e social que impõe os principais desafios contra a ação preventiva de doenças masculinas. Nesse âmbito, cabe aos Ministérios da Educação e da Saúde a implementação mais intensa de projetos e atividades educacionais nas escolas e instituições acadêmicas, através de visitas a centros preventivos e palestras interativas com especialistas e pacientes, visando a desmistificação dos procedimentos necessários para a prevenção. Para que assim, a sociedade possa se desenvolver mais consciente e se precaver cada vez mais, visando sempre sua qualidade de vida.