Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 25/11/2020

A pandemia de COVID-19 direcionou o foco das mídias e da comunidade científica para a importância do cuidado com a saúde e com a prevenção de doenças. Uma dessas pautas, mesmo com os holofotes apontados para a COVID, tem sido a saúde dos homens brasileiros, que vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres e apresentam maior incidência de doenças, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa maior taxa entre homens se explica pelo machismo estrutural, que atribui estigmas sociais a homens que cuidam dos próprios corpos. Esse quadro se alicerça na hierarquia patriarcal e na ineficácia da medicina preventiva.

Dessa maneira, é importante perceber que a pirâmide hierárquica machista é responsável pelo descuido com que os homens lidam com a própria saúde. Isso se explica porque a sociedade patriarcal exige que os meninos, desde crianças, sejam másculos e viris, pouco importando para seus corpos e sentimentos. Trata-se, portanto, de uma maneira de se comportar adequadamente servindo aos papéis de gênero. Dessa maneira, a subjetividade masculina é moldada pela negação do que é socialmente entendido como feminino: cuidado, sensibilidade e prudência.

Além disso, o Brasil conta com uma baixa adesão à prática de medicina preventiva. Essa prática consiste em realizar exames preventivos periódicos para detectar doenças antecipadamente. Porém, o Brasil não investe nessa modalidade de medicina, preferindo gastar muito mais em tratar as doenças do que evitá-las. Pra exemplificar, segundo Instituto Brasileiro de Oncologia, a chance de cura de um câncer de próstata, que representa o segundo tipo de câncer mais comum entre homens, chega a 90%. Claro que esse percentual depende de exames prévios e um cuidado mais rigoroso com a saúde masculina. No entanto, o que se percebe é que os homens temem o exame de toque para detectar alterações prostáticas, o que dialoga muito com a hierarquia patriarcal já mencionada.

Diante disso, torna-se evidente que os desafios duros que a sociedade brasileira terá de enfrentar para solucionar a problemática da saúde masculina guarda relações muito profundas com o machismo estrutural e cultural. Exige-se, portanto, que as entidades médicas, como o Conselho Federal de Medicina, pressionem o Ministério da Saúde para criar soluções conjuntas com outras esferas do Poder Executivo, como o Ministério da Educação. Uma dessas soluções consiste em criar postos de coleta de sangue em espaços públicos para proporcionar exames de rotina para homens. Isso estimularia entre eles um hábito de checagem e cuidado com a própria saúde. Além disso, essa articulação entre ministérios também patrocinaria, com verbas dos respectivos orçamentos, gincanas e seminários nas escolas públicas para instigar a reflexão entre os alunos sobre a necessidade desse cuidado.