Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 01/12/2020
O seriado “Elite” relata o cotidiano do jovem Ander, portador de câncer de próstata, que após ser diagnosticado, não divulgou o resultado para familiares e amigos. Nessa lógica, é evidente o preconceito social acerca de tais doenças. De maneira análoga à história fictícia, os desafios para a conscientização quanto à saúde masculina ainda enfrentam entraves no que concerne à imagem patriarcal estabelecida sobre o homem, como também a carência de subsídios que assegurem a saúde pública.
Diante desse cenário, é fulcral analisar o modelo familiar patriarcal como impulsionador do preconceito perante a saúde masculina, uma vez que, por idealizar a figura do homem como detentor do poder, foi estabelecido uma visão de resistência e estabilidade, o que gera que a busca por auxílio médico em períodos de fraqueza por esse grupo social seja reduzido. Corroborando essa ideia, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgou que 42 homens morrem por dia em decorrência do câncer de próstata e, cerca de 3 milhões vivem com a doença no Brasil, confirmando, assim, que o modelo patriarcal hegemonista afeta a procura masculina por exames contra patologias fatais. Logo, é claro que a idealização da imagem do homem como inexorável intensifica a decorrência de doenças clínicas nesse grupo social.
Outrossim, a falta de auxílio público quanto o investimento nos hospitais públicos é visto como impulsionador para a progressão positiva dos casos clínicos da saúde masculina, ora que a carência de profissionais específicos para a realização de exames, como também a exacerbada lista de espera gera a comodidade dos pacientes frente a busca por ajuda médica, já que há dificuldades na realização do atendimento. Nessa seara, a meta do Sistema Único de Saúde (SUS) é ter a solicitação das consultas no prazo de 30 a 60 dias, dependendo da condição clínica do paciente, o que possibilita uma piora nos quadros clínicos dos pacientes.
É necessário, portanto, que o Ministério da Saúde, como responsável pelo bem-estar social, promova campanhas de divulgação em mídia televisiva, radiográfica e digital acerca dos principais sintomas de doenças que acometem o sexo masculino, como o câncer de próstata, bem como os protocolos de busca e uma maior disponibilidade de profissionais especializados responsáveis por exames no SUS e em postos clínicos locais, com o fito de normalizar discussões sobre tais patologias discriminadas socialmente, como também orientar esse grupo a buscar auxílio médico e realizar análises hospitalares anualmente. Dessa maneira, os desafios para a conscientização quanto à saúde masculina decrescerão exponencialmente.