Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 27/11/2020

A Constituição de 1988, marco do processo de redemocratização do país, prevê a toda nação brasileira o acesso pleno a uma saúde pública de qualidade. Todavia, o auto cuidado masculino é constantemente negligenciado devido a falta de tempo dos cidadãos contemporâneos e a existência de uma rede de saúde deficiente, causando danos ao bem-estar dessa parcela social e dificultando a eficácia do processo de conscientização social acerca da saúde masculina. Sendo assim, fica evidente a necessidade de intervenções com o intuito de que a realidade brasileira seja a mesma que a prevista na Carta Magna.

Em primeira instância, a falta de tempo tornou-se uma das principais desculpas para a população masculina negligenciar o cuidado com a sua saúde. Nesse sentido, a Primeira Revolução Industrial, ao conceder o direito da burguesia de controlar os horários da classe proletária, foi a causadora dessa falta de tempo, sendo a criação do relógio um símbolo desse processo. Sob esse prisma, desde do século XVIII a sociedade enfrenta a falta de tempo e essa situação é um dos impasses para a promoção da conscientização do auto cuidado masculino. Dessa maneira, os homens continuarão a adoecer até que eles arrumem tempo para cuidar da sua saúde.

Em segundo plano, a inexistência de uma infraestrutura de saúde pública funcional faz com que o acesso a saúde masculina exclua as classes marginalizadas da sociedade, já que essas dependem do sistema público. Destarte, a socióloga Hannah Arendt criou o conceito de “banalidade do mal” usado para caracterizar uma nação tão acostumada com a crueldade que essa se torna algo comum. Desse modo, ao analisar as consequências de uma rede de saúde ineficiente, como a dificuldade de um atendimento médico gratuito eficaz, essa problemática torna-se uma espécie de crueldade, a qual é, muitas vezes, banalizada pela sociedade. Com isso, o sucesso no processo de conscientização quanto o cuidado masculino só será possível quando esse atingir todas as parcelas da sociedade e a melhora na rede pública de saúde é o primeiro passo para a concretização dessa mudança.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde-órgão governamental responsável por zelar pela saúde dos brasileiros-invista em uma infraestrutura eficiente por meio da contratação de profissionais qualificados, criação de uma rede de atendimento eficaz e compras de materiais médicos a fim de que as classes marginalizadas tenham acesso pleno a saúde pública. Além disso, a promoção de campanhas informativas sobre a importância do auto cuidado masculino é essencial na conscientização da população. Com essas ações em prática, será possível alcançar o sucesso no  movimento de conscientização social quanto à saúde masculina e honrar com a Constituição Cidadã.