Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 28/11/2020
“O homem nasce com o instinto da destruição e do massacre, e enquanto a humanidade não sofrer uma metamorfose total, haverá guerras”. Essa era a visão de evolução humana idealizada por Anne Frank, ao escrever o seu diário em Amsterdã. No contexto atual, análogo ao cenário de guerras, o Brasil lida-se com desafios relacionados à conscientização social quanto à saúde masculina. Isso se deve à ineficácia estatal e à omissão da sociedade, o que urge por mudanças.
Em primeira análise, conforme o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, é necessário que o Estado governe de forma a proporcionar a felicidade ao maior número de indivíduos. No entanto, o Governo não cumpre o seu papel, tendo em vista a precariedade no que diz respeito à saúde masculina. Essa correlação fundamenta-se no fato de que ainda não há tantos investimentos destinados às campanhas que visam a conscientização acerca da saúde masculina, além da escassez de municípios que possam realizar com facilidades exames para um diagnóstico prévio. Nesse contexto, vale destacar que, segundo uma pesquisa realizada pela Folha de São Paulo, tem-se que menos de 0,5% da renda nacional é utilizada para fins benéficos à questão física e mental do homem. Dessa forma, a superação desse dilema configura-se como um desafio político da pós-modernidade.
Vale ressaltar, ainda, que a omissão da sociedade é outro fator que está intrinsecamente relacionada aos desafios enfrentados sobre a saúde do homem. Isso pode ser comprovado pela fala do jurista Márcio Brava que, em entrevista à revista Le Monde Diplomatique Brasil, declarou que essa problemática reside no silêncio da sociedade em não quebrar alguns paradigmas, como o preconceito ao indivíduo masculino em realizar alguns exames médicos, como o exame para a detecção do câncer de próstata. Nesse sentido, segundo dados sociológicos, mais de 67% dos homens que não fazem exames preventivos alegam não os fazer por medo ou vergonha do que a sociedade irá pensar, uma vez que isso põe em risco, segundo eles, a sua masculinidade.
Logo, a fim de mitigar essa problemática, é imperativo que o Ministério da Saúde, por meio dos impostos arrecadados nos grandes centros urbanos, invista na infraestrutura dos centros hospitalares, principalmente em locais longínquos das metrópoles, os quais devem contar com uma maior disponibilidade de exames preventivos e também de tratamentos ligados à saúde masculina. Paralelamente, é fulcral que as mídias, como influentes da consciência coletiva, promovam debates com especialistas nessas áreas, a fim de desmistificar o preconceito e conscientizar sobre a importância do diagnóstico preventivo. Agindo assim, a evolução idealizada por Anne Frank se assemelhará à realidade brasileira.