Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 01/12/2020

Publicado em 1955, o livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago traz uma crítica à sociedade contemporânea, incapaz de enxergar valores básicos de ética e solidariedade. No entanto, fora da ficção, tais valores parecem, de fato, deturpados no que tange a sua aplicabilidade nos desafios para a conscientização social acerca da saúde masculina no país. Sob essa perspectiva, é válido averiguar como a negligência do Poder Público e a indiferença populacional interferem diretamente no imbróglio.    Em primeiro plano, cabe avaliar a omissão estatal como fator corroborante da problemática. Segundo o filósofo Michel Foucault, uma infinidade de “micropoderes” são exercidos cotidianamente pelas instituições e influenciam na construção da sociedade. Diante disso, infere-se que o Estado mostra-se displicente quanto a conscientização coletiva de homens para as causas e profilaxias de doenças como o câncer de próstata, por exemplo. Assim, sem que o assunto seja abordado com mais frequência, a falta de informação será um alicerce no aumento de vítimas.

Ademais, é indispensável salientar a passividade da população como catalisador do empecilho. De acordo com o pensador contemporâneo Ronald Inglehart, os valores pós-materialistas surgiram quando o indivíduo passou a experimentar uma vida social economicamente próspera e livre de inseguranças. Nesse sentido, depreende-se a inatividade populacional intensificada na construção de valores materialistas, haja vista a instabilidade financeira a qual o país está submetido. Dessa forma, questões como a busca informativa acerca do problema da saúde masculina não fazem parte das prioridades da sociedade civil.

Portanto, indubitavelmente, é preciso que os desafios para conscientização coletiva quanto à saúde masculina, sejam sanados no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, como responsável pela qualidade de vida do brasileiro, criar campanhas elucidativas sobre prevenção de doenças em homens, por intermédio de uma ampla divulgação nas redes sociais e no meio televisivo. Tudo isso deve ocorrer com o fito de trazer mais informação para a público masculino, o qual deve tomar todos os cuidados possíveis. Dessa maneira, ter-se-á um país com cidadãos diferentes daqueles criticados por Saramago em seu livro.