Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 06/12/2020

Coisa de Homem

Os índices negativos quanto à saúde masculina tem apresentado aumentos significativos. De acordo com os dados publicados em janeiro de 2020 pela “American Cancer Society”, a cada 41 homens, pelo menos 1 morrerá de câncer de próstata. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e ideológicas.

O homem não foi ensinado a pedir ajuda. Isso se dá porque ainda persiste uma espécie de balança cujos extremos são cuidado e masculinidade. Em virtude dessa problemática, foi criado na Austrália em 2003 o Novembro Azul, cujo intuito é conscientizar quanto ao câncer de próstata e enfermidades masculinas. Entretanto, a resistência é crescente e naturalizada, devido a sua construção social patriarcal.

Além disso, há o estigma da masculinidade frágil na sociedade. Isso ocorre porque a ideologia homofóbica é forte no cotidiano. Nesse viés, o principal meio de prevenção do cancro na próstata, o exame de toque, é visto como prática homossexual. Dessa forma, constrói-se uma cultura de omissão, no qual o sexo masculino tem vergonha de ser prudente por estar em constante ameaça de perder o prestígio social.

Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas facilitam o agravamento da saúde do homem. Por isso, é necessário que as mídias deixem de pregar a masculinidade exacerbada  e promovam informações para a viabilizar a aceitação e conscientização quanto a importância do bem-estar. Ademais, é preciso que o Estado juntamente com o Ministério da Saúde crie o projeto Coisa de Homem para aumentar o número de médicos urologistas em unidades básicas de saúde, para que haja maior engajamento. Quem sabe assim, o Novembro Azul se resinifique como mês de vitória.