Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 30/11/2020

O movimento Novembro Azul teve início em 2003, na Austrália, com o objetivo de chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças que atingem a população masculina, com ênfase na prevenção do câncer de próstata. A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce, mesmo na ausência de sintomas, porém, muitos não o fazem. Isso se deve pela masculinidade acabar sendo determinada por aspectos culturais, educacionais e sociais e que influenciam na condição de saúde masculina de forma negativa e que infelizmente ainda são reproduzidos hoje. Cabe analisar os riscos e as motivações envolvidas em tal decisão e analisar, de forma cabível, uma solução para a problemática da saúde do homem.

Segundo o Ministério da Saúde, diariamente, 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata e, aproximadamente, três milhões vivem com a doença. Isso porque de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), quase 90% dos homens brasileiros deixam de realizar exames preventivos. Na fase inicial o câncer de próstata não tem sintomas e em 95% dos casos eles aparecem em estágio avançado da doença, o que por si só já dificulta o tratamento, tal que, se fosse em um caso de diagnóstico precoce, teria 90% de chance de cura.

Um dos grandes culpados pelos altos índices de negligência masculina é o modelo de gênero pactuado socialmente, adotou-se um padrão hegemônico, com normas e padrões de comportamento a serem seguidos, oque afeta também a forma a se perceber e lidar com seu corpo. A diferença entre os sexos com relação à busca aos serviços de saúde é óbvia, homens não procuram formas de prevenir ou diagnosticar doenças, recorrendo a hospitais, em sua maioria, apenas para o tratamento. A ausência às unidades de saúde estão incluídos diversos fatores, tal como como medo da descoberta de um problema grave, preconceito contra procedimentos invasivos e vergonha de exposição do corpo.

Através da análise realizada, torna-se evidente que para a consolidação efetiva do pensamento preventivo entre a população masculina é necessário: ações educativas, por parte das escolas em acordo com mídia, para mudar a visão machista que os homens possuem de não se preocuparem com a manutenção da sua saúde. Cabe ao sistema público de saúde incentivar à população à consulta de forma a prevenir possíveis doenças, mantendo um calendário de prevenção próprio e assim tornando a descoberta de doenças muito mais fácil. Cabe também o governo fazer mais investimentos na área da saúde, para poderem efetivar as campanhas de prevenção e prestar serviços de melhor qualidades e maior rapidez a seus pacientes. Desta forma será possível vencer os preconceitos instalados diante os homens e colocar suas saúdes acima da masculinidade toxica vigente nos mesmos.