Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 30/11/2020
Ao longo da Idade Média no decorrer dos séculos VII e VIII era corriqueiro guerreiros germânicos se envolverem em duelos sangrentos em defesa do que eles consideravam a própria honra. De maneira análoga, ainda há no contexto hodierno do Brasil muitos cidadãos que em defesa do próprio conceito antiquado e inadequado acerca da masculinidade, acabam por não se precaverem em relação à própria saúde, especialmente quando se trata do câncer de próstata. Assim sendo, eleva-se a problemática da conscientização social quanto à saúde masculina, pois diversos homens não realizam exames de prevenção, seja pela falta de informação a respeito, seja pelo tabu sobre o exame de próstata.
Em primeira análise, é importante destacar que o câncer de próstata é a variante mais mortífera de tumores para indivíduos do sexo masculino. Segundo dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) cerca de cinquenta mil pessoas diagnosticadas poderiam apresentar melhoras no próprio quadro, caso houvesse detecção e tratamento precoce. Desse modo, é evidente a necessidade da ampliação do diálogo e da estrutura preparada para exames preventivos em homens, pois a taxa de mortalidade seria drasticamente reduzida. Logo, é inaceitável que tantas pessoas morram pelo simples fato de não terem acesso à informação sobre a importância dos exames e uma estrutura adequada para realizá-los com segurança.
Outrossim, vale enfatizar que o exame de próstata é um tabu para os homens brasileiros, que acreditam que ele os torna menos homens. Assim parece ser, porque de acordo com o filósofo Immanuel Kant: “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que os indivíduos são incentivados desde criança a não fazerem exames de toque, pois isso os emascularia e eles seriam motivo de chacota para outras pessoas. No entanto, muitos homens morrem devido a pensamentos retrógrados como esse. Dessa forma, é nociva a ação da sociedade ao incentivar que rapazes não façam o exame de próstata, aumentando o índice de mortes devido ao câncer. Dessa maneira, é necessária uma mudança educacional para corrigir tais problemas.
É indispensável, portanto, a adoção de medidas capazes de ampliar o incentivo a exames preventivos e garantir uma estrutura adequada para realizá-los. Nesse sentido, o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação deve promover campanhas nacionais sobre os exames preventivos para homens, por meio de propagandas televisivas e palestras em escolas. Dessa maneira, por exemplo, as crianças seriam educadas para sempre realizarem os exames e os adultos seriam informados sobre as taxas de mortalidade, visitando assim os hospitais com maior frequência. Espera-se, com isso, que as taxas de mortalidade decorrentes do câncer de próstata sejam substancialmente reduzidas.