Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 01/12/2020

Em ‘‘Mayombe’’, Pepetela retrata o cotidiano de guerrilheiros do MPLA, como o Teoria, que em determinado episódio em uma trilha, machuca a perna de maneira grave. No entanto, em decorrência de uma coerção social a qual impõe que o soldado deve ser imbatível, ele prefere, ao invés de parar a caminhada junto aos outros combatentes e cuidar de sua saúde, continuar a marcha para não ser mal visto pelos seus colegas. Diante do exposto, nota-se uma semelhança entre o contexto social dos soldados e a atual percepção masculina em relação à saúde: ambos, como consequência de uma sociedade fundamentada no machismo, preferem agonizar de uma enfermidade ao invés de buscar assistência. Na contemporaneidade essa vicissitude é notada mediante exame de toque retal, utilizado para a descoberta do câncer de próstata, visto que ainda há preconceito acerca desse processo examinatório. Assim, é notório que o debate sobre os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina é válido, pois apenas por meio dele é possível que a problemática seja superada.

Tal adversidade decorre, sobretudo, pelo fato das sociedades ocidentais estarem submetidas a uma cultura que personificou no homem a figura imponente que não possui dores, fraquezas e, dessa maneira, enfermidades. Tem-se como exemplo disso a Grécia Antiga, considerada berço da civilização, que em seu contexto social era exaltada apenas a personalidade do homem viril e corajoso, por meio das insignes estátuas helênicas, sem abordar a temática do que, de fato, um ser humano é:  passível de erros, doenças e sentimentos. Essa percepção de que o indivíduo masculino tende apenas à perfeição resultou, na atual sociedade, a chamada ‘‘masculinidade tóxica’’, em que o homem, com o intento de manter sua imagem como a de um padrão grego, prefere sofrer expressivas consequências em vez de demonstrar o mínimo de humanidade. Isso posto, observa-se que um dos desafios a serem superados para que a sociedade se conscientize sobre a saúde masculina é a alteração de um comportamento tóxico vigente na população desde épocas longínquas.

Ademais,enquanto a vicissitude não é solucionada,ela continua promovendo danos imensuráveis,visto que,de acordo com o Inca,ocorreram 15 mil mortes de câncer de próstata, que podiam ser evitadas caso os indivíduos fizessem exames de rotina e deixassem a masculinidade tóxica de lado.Assim,sabe-se que a conscientização social quanto à saúde masculina além de diminuir uma cultura machista,também pode salvar milhares de vidas.

Para que os desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina sejam superados, é dever do governo federal promover campanhas de isenção fiscal às empresas que promoverem debates entre seus funcionários acerca da problemática, por meio de material impresso didático e discussões.Assim, pessoas como Teoria ficarão apenas na literatura, e não mais na realidade.