Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina
Enviada em 02/12/2020
O Novembro Azul é uma campanha nacional que tem o objetivo de conscientizar o público masculino quanto à saúde dos homens. No entanto, apesar do engajamento do governo em iniciar essa campanha em 2012, o câncer de próstata continua sendo a segunda maior causa de morte entre homens, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Nesse sentido, as causas para a aparente ineficiência da campanha são a forte influência da cultura machista e o pressupostos relacionado às consultas. Dessa forma, é necessário resolver os empecilhos relacionados a conscientização da saúde masculina, que são a cultura machista e o preconceito.
Em primeiro plano, vale analisar a relação entre a resistência dos civis do sexo masculino com os exames preventivos de próstata. Nessa perspectiva, tem-se a analise do sociólogo Durkheim que descreve a junção de pressupostos como fato social, que é capaz de moldar a sociedade. Nesse panorama, é possível assimilar tal analise com o machismo, uma vez que um dos pressupostos do fato social é a coercitividade que determina o agir do homem com base no medo das consequências de não seguir. Desse modo, a cultura machista é um obstáculo para a conscientização da saúde masculina, pois o homem com receio de ser diminuído pelos seus companheiros, que acreditam que homem não precisa cuidar da saúde, acaba não seguindo as recomendações médicas.
Outrossim, é necessário ressaltar também a influência do preconceito com as consultas, advindas da falta de conhecimento acerca delas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), em uma pesquisa sobre a percepção masculina em torno da saúde, aponta que 49% dos homens nunca realizaram o exame do toque retal, importante para a detecção do câncer de próstata. Essa situação ocorre devido ao pensamento popular de que tal procedimento médico causa desconforto, porém geralmente essas afirmações advém de fontes sem embasamento científico. Assim sendo, outro desafio para a eficácia da conscientização da saúde masculina é o preconceito causado pelo senso comum.
Destarte, faz-se necessário a resolução dos obstáculos que impedem a conscientização do sexo masculino com relação às suas saúdes. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal garantir que a população masculina tenha o atendimento essencial, por meio de leis que declarem a obrigatoriedade da realização de consultas anuais para aqueles que são mais propensos às doenças do gênero masculino, a fim de diminuir a taxa de mortes por câncer de próstata, uma vez que o tratamento é simples e eficaz quando tratado precocemente.